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InvestMercadosCMDT
23/07/2026
4 min

Petróleo atinge maior preço em um mês após ataque houthi e ameaça de Trump

Petróleo atinge maior preço em um mês após ataque houthi e ameaça de Trump

O petróleo está no maior patamar de preços em mais de um mês depois que o grupo houthi do Iêmen afirmou ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intensificar os ataques contra o Irã.

O contrato futuro do Brent para setembro subia 4,98%, a US$ 98,75 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 4,32%, para US$ 90,58, por volta das 07h50 (horário de Brasília).

Por trás do movimento está uma combinação de fatores que preocupa o mercado de energia, como o rompimento do cessar-fogo entre Washington e Teerã, ameaças cruzadas de retaliação e, agora, um novo foco de instabilidade fora do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da commodity a nível global.

O gatilho mais recente veio do ataque ao petroleiro na Arábia Saudita. A autoria foi reivindicada pelos houthis do Iêmen, que dizem estar conduzindo um bloqueio naval contra o país e tratam o ataque como retaliação a supostas violações desse bloqueio, de acordo com a imprensa internacional.

Dois estreitos e o temor do mercado

O que antes era uma crise concentrada em Ormuz agora se espalha para outro corredor estratégico. Levantamento do Goldman Sachs, divulgado pela Reuters, mostra que o canal saudita Bab el-Mandeb movimenta em média 9 milhões de barris de petróleo por dia. O comércio por lá segue parcialmente ativo.

Em Ormuz, a Guarda Revolucionária do Irã relatou que um petroleiro pegou fogo após uma explosão ao seguir uma rota minada no trecho sul do estreito, próximo à costa de Omã, e que duas outras embarcações teriam desistido da travessia.

Teerã afirma manter controle total sobre a via e alega que nenhum navio pode circular sem autorização iraniana prévia, uma condição que o HSBC aponta como o cerne do impasse, de acordo com a CNBC.

"A questão central permanece sem solução: se a passagem é administrada e por quem", avaliou junto ao canal o analista sênior de petróleo e gás do banco, Kim Fustier, destacando que o aumento do tráfego pelo corredor administrado pelos EUA em Omã não interessava a Teerã.

Novas ameaças elevam a tensão

Trump prometeu atacar infraestrutura iraniana a cada disparo contra embarcações em Ormuz. "Daqui em diante, sempre que a República Islâmica do Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz (...), os EUA bombardearão e destruirão UMA PONTE OU USINA DE ENERGIA", em rede social.

O Pentágono já soma doze noites seguidas de ataques ao território iraniano. Do outro lado, uma fonte militar não identificada disse à agência estatal Tasnim que qualquer ataque a pontes ou usinas seria respondido com ataques a infraestrutura na região, divulgou a CNBC.

Já o secretário de Estado Marco Rubio disse que o Irã não está tratando com seriedade um possível acordo, ainda que reafirme o compromisso de Washington com a via diplomática.

Já o ex-embaixador americano na Arábia Saudita, Joseph Westphal, pontuou que não há uma estratégia real. Ele detalhou que o Departamento de Guerra pede mais recursos ao Congresso sem apresentar um plano claro, o que tem gerado resistência devido aos custos.

Reflexo nos preços é claro

Para a corretora global Pepperstone, ouvida pela Reuters, o mercado já embute na precificação uma probabilidade relevante de interrupção em um segundo ponto de estrangulamento logístico, além de Ormuz.

O Goldman Sachs vai além e projeta que boa parte dos ganhos recentes deve se sustentar ao longo de julho e agosto, apoiada pela queda dos estoques globais, pela retração da produção no Oriente Médio, pela demanda sazonal de verão e pela desaceleração nas liberações de reservas estratégicas de petróleo pelos governos.

No acumulado do mês, o Brent caminha para uma alta de 35,3%, a terceira maior variação mensal em dez anos, enquanto o WTI avança cerca de 30%, também a terceira maior alta do período, detalhou a agência.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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