Petróleo cai ao menor nível em dois meses com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Os preços do petróleo recuaram nesta sexta-feira, 12, chegando às mínimas dos últimos dois meses. A queda ocorre em meio ao otimismo com apossibilidade de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã que poderia reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra entre as potências petrolíferas.
Segundo a agência AFP, ospreços globais do petróleo recuaram 5% na sexta-feira. O Brent, principal referência internacional, atingiu a mínima de US$ 85,86 o barril, enquanto o contrato americano West Texas Intermediate (WTI) caiu para US$ 83,32 o barril.
Ambos os indicadores refletem a expectativa de que o estreito, rota por onde passa grande parte do petróleo e do gás natural comercializados no mundo, possa ser desbloqueado.
Dados referentes à manhã desta sexta-feira (6h36, horário de Brasília), mostravam o WTI em US$ 83,81 por barril, queda de 4,45%, e o Brent em US$ 86,47, queda de 4,33%. O gás natural negociado na Nymex caía 1,13%, para US$ 3,05 por milhão de BTU.
Trump anuncia acordo 'muito em breve'
A queda nos preços do petróleo acompanha uma onda de otimismo nos mercados globais. Segundo a Reuters, as bolsas asiáticas lideraram um forte rali na sexta-feira em meio à esperança de que um acordo de paz finalmente se concretize.
"Acabamos de fazer um grande acordo para encerrar a guerra com o Irã", disse o presidente americano Donald Trump a jornalistas na Casa Branca nesta quinta-feira, 11.
"O estreito será oficialmente reaberto assim que assinarmos, o que pode ser em breve, muito em breve, talvez já neste fim de semana, na Europa", afirmou, acrescentando que o vice-presidente JD Vance participará da assinatura do acordo.
Questionado se o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, havia aprovado o acordo, Trump respondeu: "Entendo que a resposta é sim."
Trump também afirmou que o acordo já foi aprovado por países como Israel, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. No entanto, o gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu informou, após uma conversa entre os dois líderes, que Israel não é parte do memorando de entendimento com o Irã
Irã ainda não confirmou acordo, e tensões persistem no estreito
Apesar do otimismo de Trump e dos mercados, Teerã afirmou não ter tomado uma decisão final sobre o pacto. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse à mídia iraniana que grandes partes do acordo já foram finalizadas, mas que o país não vai ceder em suas "linhas vermelhas".
"Não chegamos a uma conclusão final sobre essa questão. É um assunto muito importante que está sendo analisado pelos órgãos de decisão competentes", afirmou.
Desde meados de março, Trump tem repetidamente afirmado que um acordo com o Irã estava próximo. Os dois lados trocaram ataques nesta semana, pressionando o cessar-fogo anunciado em abril.
Ainda nesta sexta-feira, forças americanas derrubaram dois drones iranianos de ataque que tentavam atingir navios comerciais em trânsito pelo Estreito de Ormuz, segundo um oficial americano ouvido pela Reuters. A mídia estatal iraniana também relatou que as forças militares do país impediram a passagem de um petroleiro pelo estreito, noticiando o som de explosões na madrugada de sexta-feira.
