Petróleo cai após oferta de diesel russo reduzir riscos de abastecimento no Golfo
Os preços do petróleo caem nesta terça-feira (13) e caminhavam para registrar sua primeira queda em quase uma semana, à medida que os operadores avaliavam os riscos de abastecimento decorrentes dos ataques à Arábia Saudita, ao mesmo tempo que ponderavam a possibilidade de oferta adicional de diesel proveniente da Rússia. Os contratos futuros do petróleo […]

Os preços do petróleo caem nesta terça-feira (13) e caminhavam para registrar sua primeira queda em quase uma semana, à medida que os operadores avaliavam os riscos de abastecimento decorrentes dos ataques à Arábia Saudita, ao mesmo tempo que ponderavam a possibilidade de oferta adicional de diesel proveniente da Rússia.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíam US$ 1,42, ou 1,33%, para US$ 105,20 por barril às 4h49 (horário de Brasília), enquanto os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, recuavam US$ 1,45, ou 1,55%, para US$ 92,29 por barril.
Ambos os referenciais subiram quase US$ 2 por barril na sessão anterior, com o Brent encerrando o pregão em seu nível mais alto desde 15 de setembro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Rússia havia concordado em fornecer diesel aos mercados globais, e seu governo suspendeu temporariamente as sanções norte-americanas sobre os combustíveis russos, que tinham como objetivo privar Moscou de receitas para financiar sua guerra contra a Ucrânia.
A oferta adicional poderia ajudar a aliviar a restrição nos mercados globais de combustíveis, atenuando parte das preocupações com o abastecimento que têm sustentado os preços do petróleo bruto recentemente.
No entanto, “há um ceticismo considerável em relação ao cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia, especialmente diante de relatos de que a Rússia atingiu alvos energéticos ucranianos desde que Trump anunciou o acordo”, afirmaram analistas do ING em uma nota.
Parlamentares dos dois partidos nos Estados Unidos criticaram o acordo de Trump com Putin, alegando que ele parece violar a legislação norte-americana que proíbe as importações de energia russa até que Moscou encerre sua agressão contra a Ucrânia.
As preocupações com a vulnerabilidade da infraestrutura energética do Golfo e das rotas marítimas permaneceram em destaque depois que os houthis, alinhados ao Irã, atacaram o aeroporto internacional de Riad durante o fim de semana, enquanto ataques a petroleiros foram relatados nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Os incidentes ameaçaram comprometer a recuperação do abastecimento do Oriente Médio observada em setembro e reforçaram os temores de novas interrupções ao longo de uma das rotas de trânsito de energia mais importantes do mundo.
“A nova oferta de diesel da Rússia e os fluxos mais estáveis da Arábia Saudita estão proporcionando algum alívio. Ainda assim, o mercado parece mais preocupado com o risco de novos ataques a navios ou oleodutos no Golfo do que tranquilizado pela oferta adicional de petróleo”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade.
“Até que vejamos sinais mais claros de redução das tensões, a tendência de menor resistência continua apontando para a alta”, disse ele.
Ministros dos países da Opep e dos países não membros participantes da Declaração de Cooperação afirmaram que os custos de transporte marítimo e de seguros dispararam para níveis sem precedentes, superiores a um terço do valor da mercadoria, dificultando o transporte eficiente de petróleo bruto e derivados.
A Opep revisou para baixo sua previsão de crescimento da demanda por petróleo para este ano, de 1,4 milhão de barris por dia (bpd), estimados no início do ano, para 400 mil barris por dia, em linha com os acontecimentos registrados ao longo do ano, afirmou na segunda-feira Haitham Al Ghais, secretário-geral da organização.
