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06/07/2026
4 min

Petróleo cai com aumento da oferta da Opep+ e demanda fraca da China

Petróleo cai com aumento da oferta da Opep+ e demanda fraca da China

Os preços do petróleo operam em queda nas negociações internacionais desta segunda-feira, 6, pressionados pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) de elevar suas metas de produção e pelos sinais de recuperação das exportações via Estreito de Ormuz.

Por volta das 7h40 (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos Estados Unidos, recuava 0,55%, a US$ 68,31 por barril. Já o Brent, parâmetro global, caía 0,55%, negociado a US$ 71,72 por barril.

A estratégia da Opep+ e o fluxo no Golfo

A Opep+ confirmou no último domingo, 5, um novo aumento em suas metas de produção, com acréscimo de 188 mil barris por dia a partir de agosto. O volume se soma aos aumentos implementados em junho e julho, como parte da estratégia do cartel para reverter os cortes de produção.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, a adição acumulada chega a 940 mil barris por dia, de acordo com informações da imprensa internacional.

Analistas, porém, observam que boa parte desse aumento permaneceu apenas no papel devido às restrições logísticas provocadas pela guerra no Irã. O conflito chegou a fechar o Estreito de Ormuz para o tráfego de petroleiros.

Os dados mais recentes, por outro lado, mostram uma recuperação do fluxo, com as exportações de petróleo do Golfo avançando mais de três milhões de barris em junho, superando dez milhões de barris por dia.

O volume, porém, permanece cerca de 40% abaixo dos níveis registrados antes da guerra.

Analista da PVM, Tamas Varga afirma que os produtores estão vendendo em um mercado em trajetória de queda, o que reduz as perspectivas de recuperação dos preços no curto prazo.

"No entanto, preços mais baixos do petróleo sem dúvida estimularão a demanda mais adiante", disse à Reuters.

O fator chinês e a transição energética

Outro desafio para a sustentação dos preços está na China, maior importadora mundial de petróleo bruto, que vem demonstrando menor apetite por combustíveis fósseis.

O presidente emérito da FGE NexantECA, Fereidun Fesharaki, pontuou que os chineses não têm mostrado interesse em realizar compras volumosas de qualquer fornecedor, frustrando as expectativas de uma recuperação consistente da demanda asiática.

As importações chinesas de petróleo despencaram 29% em maio na comparação anual, atingindo o menor nível desde fevereiro de 2018. Já os fluxos provenientes do Irã caíram pela metade em junho.

E a guerra parece ter acelerado o foco da China na expansão de fontes renováveis e na construção de um novo sistema energético baseado em inovação, segundo o Instituto de Segurança e Política de Desenvolvimento.

Esse cenário também dificulta o escoamento dos estoques de países sob sanções, como o Irã, que acumulou mais de 40 milhões de barris de petróleo armazenados em navios desde a suspensão do bloqueio naval estadunidense.

Dinâmicas de exportação e riscos geopolíticos

Enquanto a demanda chinesa perde força, a oferta global recebe pressão adicional de outros grandes produtores. A Rússia atingiu níveis recordes de exportação de petróleo bruto em junho, tendência que deve se manter em julho.

O aumento dos embarques é consequência dos ataques ucranianos com drones que danificaram refinarias russas, obrigando o país a exportar parte do petróleo que deixou de ser processado internamente.

Ao mesmo tempo, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) tem vendido milhões de barris de petróleo com descontos agressivos em leilões no mercado spot, reforçando o cenário de excesso de oferta no curto prazo.

Mas o Irã "deixou bem claro que a atual passagem 'livre' pelo Estreito de Ormuz está disponível apenas por 60 dias, após os quais começará a cobrar pedágios escalonados", detalhou Fesharaki à CNBC.

"Se você for meu amigo, paga menos. Se não for meu amigo, paga mais. Se eu não gostar de você, talvez nem permita que você transporte seu petróleo por lá", acrescentou o especialista.

Demanda: 1,5 milhão de barris por dia

O banco ANZ revisou suas estimativas e passou a prever uma contração de 1,5 milhão de barris por dia na demanda global de petróleo em 2026, refletindo a forte retração observada no segundo trimestre deste ano.

Ainda assim, a instituição espera que essa perda seja parcialmente compensada no segundo semestre, à medida que a oferta se estabiliza e parte do consumo diferido retorne ao mercado.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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