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18/06/2026
3 min

Petróleo cai com aumento da oferta global, mas normalização não é imediata

Petróleo cai com aumento da oferta global, mas normalização não é imediata

Os preços do petróleo caem nesta quinta-feira, 18, pressionados pela perspectiva de aumento da oferta global após Estados Unidos e Irã fecharem um acordo preliminar para encerrar o conflito no Oriente Médio, reduzindo parte do prêmio de risco das cotações.

Por volta das 8h (horário de Brasília), o Brent para agosto recuava 0,78%, negociado a US$ 78,93 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 1,56%, para US$ 75,59.

Mais cedo, ambos chegaram a registrar perdas próximas de 2%, segundo informações da Reuters e da CNBC.

Desde o início da guerra envolvendo o Irã, o mercado vinha incorporando o risco de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável pelo escoamento de 20% do fluxo global da commodity.

O que diz o acordo de paz

Um memorando de 14 pontos firmado entre Washington e Teerã abriu um período de negociações de 60 dias e prevê a retomada gradual da navegação pelo Estreito sem cobrança de taxas adicionais.

O acordo também estabelece a restauração da capacidade plena da rota em até 30 dias, reduzindo os temores de gargalos logísticos que haviam sustentado a recente alta do petróleo.

Para o analista da IG, Tony Sycamore, neste sentido, a liquidação dos contratos se intensificou à medida que os investidores revisavam suas expectativas para a oferta a partir do acordo.

"A onda de vendas se intensificou à medida que os mercados de energia continuaram a precificar agressivamente um retorno mais rápido do que o esperado do petróleo iraniano", disse em entrevista à Reuters.

Normalização não é imediata

O Goldman Sachs projeta que as exportações dos países do Golfo voltem aos níveis anteriores à guerra até o fim de julho, enquanto a produção de petróleo deve se recuperar 100% apenas em outubro.

O banco estima que o fluxo pelo Estreito de Ormuz precisará aumentar em cerca de 13 milhões de barris por dia para retornar a, aproximadamente, 70% dos níveis observados antes do conflito.

O analista da Kpler, Matt Stanley, vê que, "embora pareça que o pior já passou, as coisas ainda estão longe da normalidade", disse à Reuters.

A própria diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, indicou que os preços tendem a perder força à medida que o transporte marítimo se estabilize, mas pondera que a recomposição de estoques e reservas pode impedir uma queda mais acentuada das cotações.

Excesso de oferta no radar

Além do avanço das negociações entre EUA e Irã, os investidores também reagiram a uma avaliação mais cautelosa da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a entidade pontuou que uma resolução duradoura do conflito pode resultar em um aumento expressivo da oferta global de petróleo nos próximos anos.

Em um cenário de excesso de oferta, se adiciona pressão baixista às cotações. A agência estima que a produção mundial alcance 110,3 milhões de barris por dia em 2027, após um período de ajuste em 2026.

Juros nos EUA pesam

Outro fator que limita a recuperação do petróleo é que o mercado passou a aumentar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar os juros ainda este ano para conter pressões inflacionárias.

E taxas mais altas tendem a desacelerar a atividade econômica e reduzir o consumo de combustíveis, afetando as perspectivas de demanda por petróleo, na avaliação dos especialistas.

No entanto, na última reunião da entidade para definir os juros, realizada na quarta-feira, 17, o banco central dos EUA optou por manter os juros no intervalo de 3,5% a 3,75% pela quarta reunião consecutiva neste ano.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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