Petróleo cai mais de 2% com retomada dos embarques pelo Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo caem acima de 2% nesta sexta-feira (26) e caminham para fortes perdas semanais, em meio à redução das preocupações com a oferta, à medida que mais petroleiros retidos retomaram a travessia pelo Estreito de Ormuz, apesar de um navio de carga ter sido atingido por um projétil próximo a Omã nesta quinta-feira (25).
Os contratos futuros do petróleo Brent recuavam US$ 1,71, ou 2,27%, para US$ 73,55 por barril às 4h31 (horário de Brasília), enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caía US$ 1,67, ou 2,32%, para US$ 70,25 por barril.
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A gigante do refino Saudi Aramco retomou hoje o carregamento de petróleo em seu terminal de Ras Tanura, no Golfo, após uma interrupção de quase quatro meses, mostraram dados de embarque da LSEG. Dois navios-tanque do tipo Very Large Crude Carrier (VLCC) estavam carregando petróleo no terminal, enquanto outro aguardava nas proximidades. Cada VLCC tem capacidade para transportar 2 milhões de barris de petróleo.
“Há um movimento generalizado de venda, à medida que o mercado reage ao aumento dos fluxos que deixam o Estreito de Ormuz e ao fato de a China ainda não ter retomado a demanda por petróleo bruto”, disse June Goh, analista sênior do mercado de petróleo da Sparta Commodities.
Ambos os contratos de referência haviam subido mais de 2% ontem, depois que um navio de carga foi atingido por um projétil de origem desconhecida próximo a Omã, levando a agência marítima da ONU a suspender seu esquema voluntário de evacuação.
Dois funcionários dos Estados Unidos disseram à Reuters que o Irã disparou contra o navio de carga enquanto ele tentava atravessar o estreito. As autoridades iranianas afirmaram que a segurança das embarcações que navegam fora das rotas designadas no Estreito de Ormuz não é garantida.
Tanto o Brent quanto o WTI caminham para perdas de cerca de 8% nesta semana.
Dados mostraram nesta quinta-feira que os embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz atingiram nesta semana o maior nível desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro, depois que um acordo de cessar-fogo permitiu a reabertura da hidrovia. As preocupações sobre por quanto tempo o estreito permaneceria aberto também impulsionaram a atividade comercial.
Ainda assim, o tráfego total continua sendo apenas uma fração da média diária de 125 navios que atravessavam o estreito antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.
“Grande parte desse aumento reflete a saída de embarcações que estavam retidas no Golfo Pérsico. O fluxo de navios entrando no Golfo continua muito mais modesto. Isso sugere que, uma vez que as embarcações retidas deixem a região, poderemos ver uma redução no volume de tráfego”, escreveram analistas do ING em relatório.
Enquanto isso, os terremotos ocorridos na Venezuela nesta quinta-feira também aumentaram as preocupações com a oferta.
Avaliações preliminares realizadas por trabalhadores da vasta infraestrutura de petróleo, gás e refino da Venezuela indicaram, até o momento, danos limitados, já que a maior parte das principais regiões produtoras, refinarias, oleodutos e terminais do país está distante das áreas mais afetadas.
Ainda assim, a falta de energia elétrica lançou dúvidas sobre a capacidade de manter a produção de petróleo no nível anterior aos terremotos, próximo de 1,2 milhão de barris por dia, segundo fontes.
