Petróleo cai quase 4% sustentado por cessar-fogo no Oriente Médio

Os preços do petróleo operam em forte queda nesta sexta-feira, 26, ampliando as perdas da sessão anterior, quando voltaram aos níveis pré-guerra. O brent para setembro recuava 3,7% pela manhã, a US$ 72,71 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para agosto caía 3,8%, a US$ 69,18.
Mais petroleiros voltaram a cruzar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial da commodity. A normalização parcial do tráfego reduziu o prêmio de risco nos últimos dias, mesmo com novos episódios de tensão na região.
Ataque a embarcação mantém clima de cautela
Apesar da queda das cotações, o cenário geopolítico permanece delicado. Um navio de carga que navegava sob bandeira de Singapura foi alvo de um ataquepróximo ao litoral de Omã, na entrada do Estreito.
Uma autoridade estadunidense disse que o Irã estaria por trás da ação, segundo o Wall Street Journal. Dados da organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido divulgados pela CNBC informam, ainda, que a embarcação não registrou vítimas nem danos ambientais.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, informou que decidiu suspender, temporariamente, o plano de evacuação de embarcações que aguardam passagem no local.
"Após o lançamento do plano de evacuação da IMO, por meio do qual várias embarcações já foram evacuadas com sucesso, decidi suspender temporariamente sua implementação para reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuam em vigor para os navios da nossa lista de evacuação e para todos os que se encontram na região", detalhou.
Risco está longe de desaparecer
O presidente da Nations Indexes, Scott Nations, ressaltou que ainda existem muitas incertezas envolvendo os Estados Unidos e o Irã. "Ainda há muito a ser questionado sobre o acordo em si."
"Acho que estamos sendo otimistas demais, pois nada foi realmente resolvido, e o Irã sabe que tem a economia mundial onde quer se decidir fechar o Estreito", disse à CNBC.
Impasse entre EUA e Irã continua
Os Estados Unidos dizem que qualquer liberação de ativos continuará sujeita à aprovação de Washington, e uma autoridade afirmou que, "se os ativos iranianos forem liberados, eles serão usados para comprar produtos agrícolas americanos para alimentar o povo iraniano."
O presidente do Parlamento iraniano rejeitou as declarações, alimentando a percepção de que um acordo mais amplo entre os dois países ainda está distante, enquanto investidores acompanham também possíveis mudanças dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Depois da saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel em maio, surgiram informações de que o Iraque busca uma cota maior de produção e teria sinalizado que pode deixar a organização caso suas demandas não sejam atendidas, gerando novas incertezas para o mercado.
