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InvestMercadosCMDT
21/08/2026
3 min

Petróleo caminha para 2ª semana de alta com sanção dos EUA no radar

Mercado teme novas interrupções no Oriente Médio enquanto tráfego pelo Estreito de Ormuz segue baixo

Petróleo caminha para 2ª semana de alta com sanção dos EUA no radar

Os preços do petróleo seguem a caminho da segunda semana consecutiva de alta nesta sexta-feira, 21, um dia de oscilações, diante da perspectiva de que as interrupções no fluxo de petróleo do Oriente Médio continuem sem uma solução no curto prazo.

Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o petróleo Brent para outubro caía 0,15%, a US$ 93,64 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para o mesmo mês recuava 0,07%, a US$ 86,78. Na sessão anterior, o Brent havia superado os US$ 94 pela primeira vez desde 24 de julho.

Apesar da queda nesta manhã, as cotações negociadas no mercado internacional chegaram a operar em alta mais cedo. Na semana, o petróleo acumula alta superior a 5%, enquanto os rendimentos dos Treasuries permanecem elevados, reforçando as preocupações com inflação, segundo a Reuters.

Sanções dos EUA aumentam pressão sobre o mercado

O principal fator por trás da alta recente é a deterioração das perspectivas para o conflito entre Estados Unidos e Irã. Washington anunciou que pretende impor ao país as sanções financeiras mais severas de sua história, em uma tentativa de aumentar a pressão sobre o governo iraniano.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, pontuou que as medidas devem ser detalhadas na próxima segunda-feira, 24. O presidente Donald Trump também ameaçou impor consequências econômicas a países que continuem oferecendo apoio a Teerã.

A estratégia americana aumenta a incerteza sobre o fornecimento de petróleo da região. O Irã, por sua vez, afirmou que uma nova ofensiva econômica dos EUA provocaria uma resposta "devastadora", elevando o risco de novos episódios de conflito na região.

Estreito de Ormuz segue no centro das preocupações

O mercado também acompanha de perto o tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Dados da Kpler repercutidos pela Reuters mostram que apenas sete navios de commodities atravessaram o local na quinta-feira, 20, contra 14 no dia anterior.

Nenhum deles era um grande petroleiro ou um navio de transporte de gás natural liquefeito. Antes do início do conflito, a passagem concentrava cerca de um quinto do fluxo global da commodity.

A redução do tráfego mantém o mercado em alerta porque uma retomada rápida dos embarques parece cada vez mais distante. A falta de avanço diplomático entre Washington e Teerã reforça a percepção de que as restrições ao transporte de energia podem persistir.

"Como o conflito não apresenta muitos sinais de avanço diplomático, o mercado de petróleo volta a precificar o fracasso da diplomacia", segundo a vice-presidente de análise de mercados de petróleo da Rystad Energy, Janiv Shah, à CNBC.

Oferta iraniana diminui e aperta mercado asiático

O impacto já aparece no comércio de petróleo iraniano. As ofertas de petróleo do país para compradores chineses diminuíram, enquanto os preços subiram com a retomada do bloqueio americano sobre os embarques iranianos.

A restrição de oferta também pressiona derivados, especialmente o diesel. De acordo com a Rystad, as margens do combustível atingiram níveis recordes diante do receio de falta de oferta no curto prazo, estoques reduzidos e demanda sustentada.

Além do Irã, a produção e os embarques de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, continuam afetados pelas interrupções relacionadas ao conflito.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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