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Sacre Investimentos
InvestMercadosCMDT
19/06/2026
3 min

Petróleo caminha para terminar a semana com queda de mais de 8%

Petróleo caminha para terminar a semana com queda de mais de 8%

Os preços do petróleo operam sem direção única nesta sexta-feira, 19, mas seguem a caminho de registrar uma das maiores quedas semanais do ano, à medida que os investidores avaliam os desdobramentos do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Por volta das 7h25 (horário de Brasília), o barril do Brent para agosto recuava 0,38%, negociado a US$ 79,55. Já o contrato futuro do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para julho avançava 0,33%, para US$ 76,85.

Apesar da leve recuperação do WTI, o Brent continua acumulando perda superior a 8% na semana.

O mercado voltou a ficar cauteloso após a Suíça informar que as negociações previstas entre representantes dos EUA e do Irã não acontecerão hoje. A decisão aumentou as dúvidas sobre a velocidade e a efetividade da implementação do acordo firmado pelos dois países.

"Os investidores estão reavaliando a situação, com algum ceticismo retornando sobre a rapidez com que o acordo trará mudanças reais no terreno", afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, à Reuters.

Ele acredita que novas quedas dependerão da normalização efetiva do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).

"Para que o petróleo dê o próximo passo de queda, os investidores vão querer ver evidências de aumento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz", disse.

Aumento do fluxo de petróleo no mercado

Na quinta-feira, 18, os contratos de petróleo atingiram os menores níveis desde o início do conflito, em março, após navios-tanque voltarem a cruzar a região. Entre eles estavam três embarcações sauditas transportando cerca de seis milhões de barris de petróleo poucas horas depois da assinatura do acordo.

Analistas ouvidos pela agência estimam que mais de 85 milhões de barris atualmente retidos na região do Golfo Pérsico poderão retornar, gradualmente, ao mercado global caso o acordo avance. Ainda assim, bancos e consultorias alertam que a normalização completa da produção e da logística pode levar meses.

O Citi avalia como cenário-base, com probabilidade de 60%, uma retomada sustentada dos fluxos de petróleo, o que levaria o mercado global a uma situação de superávit de oferta. Neste contexto, os preços poderiam recuar para uma faixa entre US$ 60 e US$ 65 por barril até o primeiro trimestre de 2027.

Apesar da pressão baixista, também persistem riscos geopolíticos. Israel segue realizando operações militares contra o Hezbollah no Líbano, alimentando incertezas sobre a durabilidade do acordo entre EUA e Irã e limitando apostas em uma queda mais acelerada das cotações.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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