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15/06/2026
4 min

Petróleo derruba Petrobras e Ibovespa; dólar fecha em leve alta a R$ 5,06

Petróleo derruba Petrobras e Ibovespa; dólar fecha em leve alta a R$ 5,06

O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira, 15, em queda de 0,42%, aos 170.415,13 pontos, após perder força ao longo da tarde e devolver os ganhos registrados no início da sessão.

O principal índice da B3 chegou a superar os 174 mil pontos pela manhã, embalado pelo forte apetite por risco nos mercados globais após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, mas acabou pressionado pela forte queda das ações ligadas ao petróleo. O volume financeiro negociado somou R$ 29,2 bilhões.

O dólar à vista, por sua vez, fechou praticamente estável com ligeira alta de 0,09%, cotado a R$ 5,067. A moeda americana oscilou entre R$ 5,0269 e R$ 5,0743 ao longo do dia e não conseguiu acompanhar o enfraquecimento do dólar frente a outras divisas no exterior.

A forte queda do petróleo após o anúncio do acordo entre EUA e Irã para o fim da guerra pressionou moedas de países exportadores da commodity, como o real. Investidores também monitoraram o cenário eleitoral brasileiro, após pesquisa BTG/Nexus indicar vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Petróleo despenca e pressiona Petrobras

A principal pressão sobre o Ibovespa veio das empresas ligadas ao petróleo, que acompanharam a forte desvalorização da commodity no mercado internacional. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuaram 5,30% e 5,15%, respectivamente, enquanto a Prio (PRIO3) liderou as perdas do setor, com queda de quase 7%.

Outras companhias de energia também registraram desempenho negativo ao longo da sessão, ampliando a pressão sobre o índice. O movimento acompanhou a forte desvalorização do petróleo após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz.

O petróleo Brent com entrega para agosto caiu 4,76%, cotado a US$ 83,17 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com vencimento em julho despencou 4,87%, cotado a US$ 80,75 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Esses valores de cotação, na faixa dos US$ 80, não eram vistos desde o início de março. Uma baixa que reflete a expectativa de normalização da oferta global da commodity e a redução dos riscos de interrupção do fluxo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo.

A maior parte das ações dos grandes bancos, que iniciou o pregão em alta, também virou para o campo negativo ao longo da tarde. As preferenciais do Itaú (ITUB4) encerraram o dia em queda de 0,54%, acompanhadas por Bradesco, Banco do Brasil e Santander. A exceção ficou para as units do BTG Pactual (BPAC11), que conseguiram sustentar ganhos e encerraram com alta de 0,97%.

"Em um primeiro momento, o acordo entre Estados Unidos e Irã foi bem recebido pelos mercados, aumentando o apetite ao risco e favorecendo bolsas ao redor do mundo. Porém, para o Brasil existe um efeito colateral importante. Como somos exportadores relevantes de commodities, especialmente petróleo, a queda da commodity piora os termos de troca na economia brasileira e impacta diretamente em empresas de grande peso no índice", afirmou Pedro Henrique Carneiro Gonçalves, especialista da Valor Investimentos.

"Do lado das altas, vemos empresas mais ligadas ao crescimento econômico, ao apetite por risco como Embraer, além de mineradoras como Vale. Mas o peso das petrolíferas no índice acabou predominando. Por isso, mesmo em um ambiente externo mais favorável, o Ibovespa devolveu boa parte dos ganhos e passou a operar próximo da estabilidade no período da tarde", complementou.

Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, também avalia que a performance negativa do índice ocorreu em consonância com o movimento dos preços de petróleo.

"O Ibovespa operou em queda, mesmo com o grande otimismo nos mercados globais pela possibilidade de assinatura de um acordo de paz entre Irã e EUA. O dólar, por sua vez, operou praticamente estável, refletindo a cautela dos investidores antes das decisões de juros do Copom e do Fed nesta semana", acrescentou.

Em NY, Dow Jones renova recorde e SpaceX dispara quase 20%

Enquanto no Brasil o Ibovespa recuou, as bolsas em Nova York voltaram a subir forte nesta segunda. O índice Dow Jones renovou seu recorde de fechamento, em uma sessão marcada pelo alívio nas preocupações com a inflação, em semana de decisão de juros nos Estados Unidos. O indicador subiu 0,92%, aos 51.671,03 pontos.

O S&P 500 também ganhou 1,65%, aos 7.554,29 pontos, e o Nasdaq avançou 3,07%, aos 26.683,94 pontos.

As ações de tecnologia ficaram entre os principais ganhos do dia e os papéis da SpaceX dispararam em seu segundo dia de negociações. O papel avançou 19,58%, a US$ 192,47 na bolsa de Nasdaq.

AutorClara Assunção
FonteExame
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