Petróleo despenca 5% após EUA e Irã suspenderem ataques no Estreito de Ormuz

O preço do petróleo despencou mais de 5% na noite deste domingo, 26, após Estados Unidos e Irã passarem um segundo dia consecutivo sem trocar ataques militares no Golfo Pérsico. A trégua interrompeu uma escalada de quase duas semanas que havia levado a commodity a superar os US$ 100 por barril.
O contrato futuro do Brent para setembro, referência internacional, caiu 4,9%, para US$ 92,02. O recuo se soma à queda de 3,9% registrada na sexta-feira. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, cedeu 5%, para cerca de US$ 85 o barril.
O movimento ocorreu depois de o Irã afirmar que vai suspender os ataques enquanto os Estados Unidos mantiverem a própria pausa nas hostilidades. Mike Waltz, embaixador americano na ONU, disse no domingo que o presidente Donald Trump estava dando "algum espaço" às negociações antes de decidir se retoma as ofensivas. As conversas, conduzidas por mediadores, seguiam em andamento.
Estreito de Ormuz no centro do mercado
Na semana passada, o Brent chegou a tocar US$ 102 o barril — cerca de US$ 30 acima do patamar negociado no início do mês e o maior nível desde maio. A disparada refletiu o temor de que uma volta à guerra aberta paralisasse ainda mais o fluxo global de petróleo.
O trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz tem sido a principal preocupação do mercado desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro. A estreita faixa de água na costa iraniana é a rota por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial rumo aos consumidores globais, e o conflito praticamente interrompeu o tráfego marítimo na região.
Produtores buscaram rotas alternativas, mas elas também ficaram sob pressão. Na semana passada, ataques atingiram petroleiros sauditas que usavam o Mar Vermelho para deixar a região.
Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de gasolina comum estava em US$ 4,11 no domingo, ante US$ 3,90 um mês antes e US$ 3,15 um ano atrás.
Wall Street reage e semana traz Fed e megabalanços
Os futuros das bolsas americanas dispararam na noite de domingo com o alívio no petróleo. Os contratos do Dow Jones subiam 244 pontos, ou 0,5%. Os do S&P 500 avançavam 0,6%, e os do Nasdaq 100 ganhavam 1,2%. O movimento vinha após mais uma semana de perdas em Nova York, com o S&P 500 e o Nasdaq recuando 0,6% e 2,1% na sexta-feira, respectivamente.
A semana promete ser agitada. Amazon, Apple, Meta e Microsoft divulgam balanços trimestrais que podem acalmar ou intensificar os temores dos investidores sobre os gastos com inteligência artificial, depois dos resultados decepcionantes da Alphabet na semana passada. Os números podem afetar diretamente as fabricantes de semicondutores, principais beneficiárias da corrida de investimentos em IA.
"O maior risco é a continuidade dos gastos", disse Ken Mahoney, presidente da Mahoney Asset Management. Segundo ele, se as empresas atenderem aos acionistas e reduzirem o ritmo de investimento, o restante do mercado pode não gostar. "Então há um efeito gangorra", afirmou.
Petróleo, inflação e a decisão do Fed
A reaceleração do petróleo ao longo do mês ocorreu justamente quando a inflação americana começava a desacelerar mais do que os economistas esperavam. Agora, os investidores avaliam em 36% a probabilidade de o Federal Reserve elevar sua taxa básica de juros em uma das próximas reuniões, segundo dados do CME Group.
O Fed anuncia sua decisão na próxima quarta-feira, 29. O consenso aponta para uma alta de juros em setembro, mas o mercado precifica uma possibilidade relevante de que o banco central americano eleve a taxa em 0,25 ponto percentual já nesta semana, de acordo com a ferramenta CME FedWatch.
Juros mais altos ajudariam a conter a inflação, mas também podem desacelerar a economia ao encarecer o crédito para famílias e empresas. As taxas de hipoteca de longo prazo nos Estados Unidos já atingiram o maior patamar em quase um ano, esfriando o setor imobiliário. O crédito mais caro também pode frear o boom na construção de data centers de inteligência artificial, que se tornou um dos grandes motores de crescimento da economia americana.
A queda do petróleo, se sustentada, tende a trazer algum alívio a Trump a pouco mais de 100 dias das eleições de meio de mandato, nas quais o Partido Republicano tenta manter o controle das duas casas do Congresso. O impacto do conflito sobre os preços dos combustíveis vinha pesando sobre a aprovação do presidente.
