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InvestMercadosCMDT
01/06/2026
3 min

Petróleo dispara quase 6% após Irã suspender contatos com EUA

Petróleo dispara quase 6% após Irã suspender contatos com EUA

Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta segunda-feira, 1º, após o Irã suspender as trocas de mensagens com os Estados Unidos e uma nova escalada militar aumentar as incertezas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio.

Por volta das 10h50 (horário de Brasília), o Brent, referência internacional para os preços do petróleo, avançava 4,76%, negociado a US$ 95,46 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 5,80%, para US$ 92,40.

Mais tarde, os ganhos se intensificaram. O Brent chegou a ser negociado a US$ 95,60, mais de 5% acima do fechamento anterior, enquanto o WTI alcançou US$ 92,55, refletindo o aumento da percepção de risco entre os investidores.

O principal gatilho foi a deterioração do ambiente diplomático. Segundo a agência iraniana Tasnim, a equipe de negociação de Teerã suspendeu todas as trocas de mensagens com Washington por meio de mediadores, citando os ataques israelenses no Líbano e a falta de avanços concretos nas conversas para encerrar a guerra.

A decisão reduz as expectativas de um acordo de curto prazo entre Estados Unidos e Irã. Na semana passada, o presidente americano Donald Trump havia indicado que uma proposta para ampliar o cessar-fogo poderia ser anunciada em breve. Desde então, porém, novos confrontos militares e divergências entre as partes voltaram a colocar em dúvida a viabilidade de um entendimento.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que a lentidão do processo diplomático reflete a falta de confiança entre os envolvidos, além do que classificou como posições contraditórias dos Estados Unidos.

Ofoco dos mercados continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

A preocupação é que uma escalada do conflito possa comprometer o tráfego marítimo na região e afetar o abastecimento internacional de energia. Na semana passada, relatos da imprensa americana indicaram que o Irã teria ampliado a presença de minas navais na região, alimentando receios sobre possíveis interrupções na navegação.

Oferta fala mais alto que a demanda

A alta do petróleo ocorre apesar de sinais de enfraquecimento da economia chinesa.

Dados divulgados no fim de semana mostraram estagnação da atividade industrial na segunda maior economia do mundo, o que normalmente seria um fator negativo para as commodities energéticas.

O mercado, no entanto, tem priorizado os riscos de oferta.

A Arábia Saudita, por exemplo, deve reduzir pelo segundo mês consecutivo seus preços oficiais de venda para clientes asiáticos, segundo pesquisa da Reuters. A medida reflete um cenário de demanda mais fraca na região.

Segundo a agência, o Goldman Sachs também alertou que a desaceleração do consumo na China e na Europa representa um risco relevante para os preços do petróleo nos próximos meses. O banco mantém projeção de Brent a US$ 90 por barril no quarto trimestre e WTI a US$ 83, mas ressalta que interrupções no fornecimento ligadas ao conflito no Oriente Médio podem sustentar cotações mais elevadas.

Após acumularem quedas de cerca de 19% no Brent e 17% no WTI em maio — o pior desempenho mensal desde o início da pandemia, em 2020 —, os contratos voltam a reagir ao aumento das tensões geopolíticas, reforçando a sensibilidade do mercado de energia aos desdobramentos da guerra.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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