Petróleo mais caro e real mais forte elevaram custos de mineração da Vale
Companhia revisou projeções para o ano: 'são fatores que a gente não controla', diz CFO

A alta de custos da Vale no segundo trimestre, ponto fraco do balanço da companhia no período, teve dois motivos principais: o petróleo mais caro, com os conflitos no Oriente Médio limitando o escoamento da matéria-prima pelo Estreito de Ormuz, e a valorização do real frente ao dólar.
"Grande parte da mudança de patamar de custos tem a ver com esses fatores externos, principalmente petróleo e câmbio, que são fatores que a gente não controla", afirmou Marcelo Bacci, diretor financeiro (CFO) da Vale, em entrevista coletiva após a divulgação dos resultados. "Isso responde pela quase totalidade do aumento de custos", disse.
O petróleo mais caro eleva o custo de frete, pois encarece o preço do bunker, combustível que abastecem os navios. O efeito do câmbio é contábil, já que a Vale reporta em dólares mas a maioria de seus custos é em reais.
Minério pressionado, metais básicos mais competitivos
Os números do trimestre mostram o tamanho da pressão no minério de ferro. O custo caixa C1, que exclui compras de terceiros, chegou a US$ 24,1 por tonelada, alta de 9% na comparação anual. Já o custo all-in do minério alcançou US$ 61,6 por tonelada, avanço de 18%, adicionalmente pressionado pelo frete.
O custo caixa C1 mede o gasto direto para tirar o minério da mina e prepará-lo para embarque, sem custos financeiros, tributos ou frete. O all-in é uma medida mais ampla, que inclui frete, royalties, despesas e outros itens até a entrega, e por isso reflete melhor o custo total da tonelada colocada no cliente.
Nos metais básicos, o movimento foi inverso. O custo all-in do cobre caiu para US$ -257 por tonelada, ante US$ 1.450 um ano antes, e o do níquel recuou 17%, para US$ 10.340 por tonelada, ambos impulsionados pela forte receita de subprodutos. O valor negativo no cobre indica que a receita com subprodutos, como o ouro, superou todo o custo de produção do metal no trimestre.
Marcelo Bacci, CEO da Vale: 'não esperamos novas revisões de guidance de custos' (Sergio Zacchi/Suzano/Divulgação)
Como as novas projeções foram calculadas
Para o minério de ferro, a Vale revisou os custos para cima. O custo caixa C1 passou para uma faixa de US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada e o all-in para US$ 58 a US$ 62 por tonelada, refletindo premissas de real mais forte, com câmbio médio de R$ 5,13, e preços mais altos do petróleo, com Brent a US$ 86 por barril. Nos metais básicos, o guidance de custo foi revisado para baixo no níquel e no cobre.
Bacci explica que as projeções para o ano se baseiam em um preço de Brent equivalente a US$ 85 por barril para o segundo semestre e um câmbio médio de R$ 5,13.
O executivo reconheceu que o Brent negocia hoje acima dessa premissa, na casa dos US$ 90 a US$ 92, e ponderou que o petróleo tem se mostrado mais volátil que o câmbio. Ainda assim, indicou que espera variações dentro de faixas razoáveis.
"A gente acha que dentro de variações razoáveis, se o câmbio e o petróleo ficarem, não exatamente nesses níveis, mas em níveis próximos, por exemplo, a 90, o petróleo, como está hoje, a gente não deveria ter novas revisões de guidance", afirmou. Uma mudança só seria reavaliada, segundo ele, diante de uma variação muito grande que alterasse de fato o patamar dos insumos.
Bacci lembrou ainda que o próprio guidance é apresentado em intervalos, o que acomoda oscilações. No custo all-in do minério de ferro, a faixa vai de US$ 56 a US$ 60 por tonelada. "Esse range dá conta de acomodar essas variações aí. Então a gente não espera novas revisões, não", concluiu.
