Petróleo mais caro fortalece tese da Petrobras (PETR4) para o BB Investimentos; confir

Diante do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, o BB Investimentos elevou sua recomendação para as ações da Petrobras (PETR4) para compra, avaliando que a companhia deve se beneficiar da persistência do risco geopolítico. O banco manteve o preço-alvo de R$ 45 para os papéis.
Mesmo com a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz a níveis mínimos, novos desdobramentos — como o bloqueio promovido pelos houthis no Mar Vermelho, rota estratégica para a Arábia Saudita por onde transita mais de 7% da oferta global de petróleo — reforçam a expectativa de que os preços da commodity permaneçam elevados por mais tempo do que o previsto.
A Petrobras, por ser uma produtora de baixo custo e não ter exposição direta à zona de conflito, tende a se beneficiar do atual ambiente de tensões geopolíticas. Com P/L projetado de 4,2 vezes e EV/EBITDA de 3,1 vezes, o banco vê espaço para uma forte valorização das ações.
Petróleo em alta e produção de baixo custo impulsionam Petrobras
Diante da reescalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e da ameaça a uma segunda rota estratégica de exportação de petróleo, o estreito de Bab el-Mandeb, o mercado já começou a reagir.
O petróleo tipo Brent acumula valorização de 27% em relação à mínima de US$ 71,57 por barril, registrada no início de julho, logo após o acordo temporário de paz.
Para o BB Investimentos, a alta do petróleo ainda vem sendo limitada pelo uso de reservas estratégicas e pela redução das importações da China, que passou a atender parte da demanda com seus próprios estoques.
No entanto, essa dinâmica não parece sustentável no longo prazo, segundo o banco. Os Estados Unidos, por exemplo, já reduziram sua Reserva Estratégica de Petróleo em cerca de 99 milhões de barris, para 316,5 milhões de barris, o menor nível desde 1984.
Além da valorização do petróleo, o crack spread 3-2-1 também disparou. Isso significa que, mesmo com o aumento do preço da matéria-prima, as refinarias ampliaram suas margens de lucro, já que os mercados de derivados refinados enfrentam um aperto de oferta mais intenso do que o mercado de petróleo bruto.
Nesse cenário, a situação é especialmente positiva para a Petrobras, que atua tanto na produção quanto no refino de petróleo.
Diante desse contexto, o BB Investimentos abandonou o viés mais cauteloso adotado no início do ano, quando projetava uma sobreoferta global de petróleo.
A mudança de recomendação também é sustentada pelo modelo de produção de baixo custo da companhia. As despesas de extração no pré-sal giram em torno de US$ 6 por barril, o que amplia o potencial de geração de caixa em um cenário de preços mais elevados.
Além disso, o banco destaca as perspectivas de crescimento da produção com a entrada de novas plataformas nos campos de Búzios e Mero.
A Petrobras também apresenta atualmente um FCF Yield (retorno sobre fluxo de caixa livre) em torno de 14%, patamar significativamente superior ao de outras empresas comparáveis do setor, cujos yields costumam ficar na faixa de um dígito alto.
Fatores que podem comprometer a recomendação
Segundo o BB Investimentos, alguns riscos podem prejudicar o desempenho da Petrobras.
Entre eles está uma possível deterioração do ROIC (retorno sobre o capital investido), caso os investimentos da companhia cresçam sem uma geração proporcional de caixa, comprometendo a criação de valor no longo prazo.
Outro fator de atenção é uma eventual mudança na política de preços da empresa, hoje considerada um importante mecanismo para reduzir os impactos da volatilidade das cotações internacionais do petróleo sobre o mercado doméstico de combustíveis.
O banco ressalta ainda que, embora a alta do petróleo seja positiva para a Petrobras, ela representa um risco para o mercado como um todo, por aumentar as pressões inflacionárias globais e reforçar a perspectiva de juros elevados por mais tempo.
Nesse contexto, eventuais altas de juros pelos bancos centrais podem elevar o custo de capital das empresas e provocar uma reprecificação dos ativos.
*Sob supervisão de Juliana Américo
