Petróleo perde força com possível trégua no Oriente Médio; o que muda para a Petrobras (PETR4)?

A Petrobras (PETR4), principal empresa do setor B3, voltou ao centro das discussões do mercado diante da possibilidade de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. A expectativa de um recuo nos preços do petróleo levantou dúvidas entre investidores sobre os efeitos para a companhia.
À medida que diminuíram as preocupações com uma possível interrupção da oferta global, o Brent, principal referência para o preço do petróleo, devolveu parte da valorização acumulada durante o conflito. O movimento refletiu a percepção de um cenário de menor risco para a commodity.
O acordo preliminar anunciado por Estados Unidos e Irã em 17 de junho reforçou esse cenário. Entre os pontos previstos estão um cessar-fogo de 60 dias e a abertura de negociações para uma trégua definitiva.
Petróleo devolve parte da valorização após atingir US$ 126 durante a guerra
Desde o início do conflito, as preocupações com uma possível interrupção do fluxo do petróleo pelo Oriente Médio impulsionaram o preço da commodity. No auge da tensão, entre março e abril, o valor do barril chegou a ultrapassar a marca de US$ 120.
A região concentra alguns dos principais produtores mundiais e abriga o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.
Com o arrefecimento do conflito e as sinalizações de uma possível resolução, o preço do petróleo Brent recuou para o patamar de US$ 73,91 até o fechamento de mercado da última segunda (29).
Quais são os impactos de um possível fim da guerra para a Petrobras (PETR4)?
Em um cenário de alta do petróleo, as empresas do setor tendem a se beneficiar com a maior geração de receita. No Brasil, a Petrobras foi uma das que sentiram esse movimento: as ações da estatal chegaram a valorizar mais de 60% entre janeiro e abril deste ano, embora tenham devolvido parte dos ganhos nos meses seguintes.
Agora, com a possível resolução do conflito, a companhia voltou ao radar dos investidores, que questionam se a queda no preço do barril poderá impactar os resultados da empresa e sua distribuição de dividendos.
Na avaliação dos analistas da Empiricus Research, no entanto, a relação entre o preço do petróleo e o desempenho da Petrobras é menos direta do que pode parecer.
Segundo a equipe, aproximadamente 80% da produção da empresa é destinada ao segmento de refino. Como os preços dos combustíveis são reajustados com menor frequência, as oscilações do Brent não são repassadas imediatamente para os resultados da estatal.
Os analistas lembram que, durante a alta do petróleo provocada pela guerra, a Petrobras elevou o preço da gasolina apenas uma vez e do diesel duas vezes. Na visão da casa, isso mostra que, da mesma forma que a empresa não capturou toda a alta da commodity, também não deve sentir integralmente uma eventual queda.
A área mais sensível continua sendo a de exploração e produção, principalmente no petróleo exportado, que é vendido com base nos preços internacionais. Ainda assim, a Empiricus avalia que essa parcela representa somente parte do desempenho da companhia.
Mesmo em um cenário com o Brent próximo de US$ 70 por barril, a casa segue com uma perspectiva positiva para a Petrobras. Os analistas destacam a produtividade do pré-sal, o baixo custo de extração, a geração de caixa e o potencial de distribuição de dividendos para sustentar a recomendação da ação.
O possível fim do conflito no Oriente Médio é apenas um dos fatores que podem mudar rapidamente as perspectivas sobre diferentes investimentos.
Por isso, os analistas da Empiricus Research acompanham diariamente os principais acontecimentos do mercado para revisar suas teses e identificar novas oportunidades.
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