Petróleo recua a US$ 72 com retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz

O petróleo voltou nesta quinta-feira, 25, aos patamares anteriores à guerra no Irã, atingindo as mínimas desde 27 de fevereiro. Referência global de preços, o barril do Brent para agosto recuou 1,46%, a US$ 72,66, enquanto o parâmetro nos Estados Unidos West Texas Intermediate (WTI) cedeu 1,19%, a US$ 69,50.
Por volta das 8h06 (horário de Brasília), os preços do Brent aumentaram um pouco para US$ 72,85, ao passo que os do WTI caíram para US$ 69,35.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse em fórum que o fluxo pelo Estreito de Ormuz já se aproxima do volume registrado antes do início do conflito, com pelo menos 20 milhões de barris tendo passado pela rota nas últimas 24 horas.
A normalização completa, porém, deve levar ainda algumas semanas, já que o Estreito precisa ter suas minas retiradas antes que o tráfego retome 100%. O local havia sido restringido por Teerã no início do conflito contra Israel e os próprios EUA.
O acordo firmado na semana passada para encerrar a guerra abriu caminho para a retomada da navegação. O entendimento prevê um período de 60 dias de negociações para tratar de questões mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano.
Wright disse que o petróleo continuará fluindo pelo Estreito mesmo que o acordo não se sustente, e que o Irã não teria condições de fechar a passagem novamente, segundo informações divulgadas pela Reuters.
Confiança das seguradoras ainda trava a retomada plena
Apesar da melhora nos fluxos de saída, o analista da UBS Giovanni Staunovo pontuou que um aumento expressivo no tráfego de entrada ainda depende de mais segurança para a navegação. "A maior parte do crescimento no fluxo do Golfo é de saída, navios deixando o Estreito", afirmou.
Para que embarcações voltem a entrar em volumes maiores, é preciso que as seguradoras retomem a confiança, o que passa justamente pela remoção das minas e pela normalização dos prêmios de seguro.
O banco ajustou suas projeções para o Brent e agora espera US$ 85 o barril ao fim de setembro e dezembro deste ano, e US$ 80 ao fim do primeiro e segundo trimestres de 2027.Com o Irã de olho em um alívio temporário nas sanções impostas pelos EUA, que vencem em 21 de agosto, a expectativa de aumento nas vendas iranianas também pesou sobre os preços de petróleo bruto ao redor do mundo.
O Goldman Sachs, no entanto, não projeta uma alta expressiva na produção iraniana. O banco avalia que a China deve continuar como principal compradora do petróleo iraniano, já que as sanções da União Europeia e do Reino Unido sobre o óleo e os navios do país seguem em vigor.
Iraque ameaça deixar a Opep
Em paralelo, o Iraque sinalizou que pode abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) caso sua cota de produção não seja elevada de forma significativa, segundo a Reuters.
O país é um dos cinco membros fundadores da organização, criada justamente em Bagdá. A ameaça iraquiana surge logo após a saída surpresa dos Emirados Árabes Unidos da Opep ainda neste ano, adicionando mais um fator de incerteza sobre a coesão do grupo.
