Petróleo salta mais de 4% com declarações controversas sobre avanço nas negociações entre EUA e Irã

Os preços do petróleo encerraram a sessão desta segunda-feira (1º) em forte alta com nova escalada das tensões no Oriente Médio e declarações contraditórias dos EUA e Irã sobre o avanço das negociações para um acordo de paz definitivo.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para agosto terminaram o dia com avanço de 4,24%, a US$ 94,98 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para julho fecharam com alta de 5,49%, a US$ 92,16 o barril.
O que impulsionou o petróleo?
A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no fim de semana colocou em xeque as expectativas de avanço nas negociações de paz no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (1º), autoridades iranianas indicaram que persistem divergências com os EUA nas negociações nucleares e sobre o futuro do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que elevaram o tom contra Washington e Israel em relação ao cessar-fogo no Líbano.
Em meio às tensões, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, escreveu que o cessar-fogo entre Irã e EUA é “inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano”, acrescentando que qualquer violação constitui violação do acordo como um todo.
Além disso, a agência iraniana Tasnim noticiou que Teerã suspendeu as conversas com Washington, incluindo a troca de textos por meio de mediadores, em protesto contra avanços de Israel no Líbano.
Do outro lado, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou não ter confirmação de que o Irã realmente está suspendendo as negociações, mas disse não se importar, segundo a NBC.
Já no início da tarde, Trump reafirmou que as negociações com Teerã continuam em andamento, “em ritmo acelerado”, na rede social Truth.
A Bloomberg ainda informou que África do Sul anunciou um aumento recorde nos preços da gasolina a partir desta semana, atribuindo a medida ao encarecimento dos combustíveis provocado pela guerra.
O Goldman Sachs mantém a estimativa de que o barril do Brent deve atingir US$ 90 no quatro trimestre (4T26), e o WTI em US$ 83, avaliando tanto os riscos sobre a demanda quanto sobre a oferta.
Para o banco, por um lado, há riscos relevantes de alta caso as perdas de oferta no Oriente Médio se mostrem mais persistentes do que o esperado; já do outro, há riscos significativos de baixa caso a demanda continue enfraquecendo.
“Os dados de vendas de combustíveis ao consumidor na China e na Europa Ocidental em abril sugerem um risco de queda de aproximadamente 2 milhões de barris por dia em relação às nossas já conservadoras estimativas de demanda para o período. Caso metade dessa perda persista até o fim de 2026, isso poderia representar cerca de US$ 10 por barril de pressão baixista sobre nossa projeção de US$ 90 por barril para o Brent no quarto trimestre de 2026”, diz o relatório enviado a clientes nesta segunda-feira.
