Petróleo sobe após ataques a navios próximos ao Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira, 7, após relatos de ataques a navios próximos ao Estreito de Ormuz reacenderem o temor de novas paralisações em uma das rotas de transporte do petróleo mais importantes do mundo, responsável por 20% do escoamento global do óleo.
Por volta das 7h38 (horário de Brasília), o contrato futuro do Brent avançava 0,93%, para US$ 72,66 por barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 0,77%%, a US$ 69,10.
Um petroleiro com bandeira da Arábia Saudita foi danificado nas proximidades do Estreito, perto da costa de Omã, depois que um navio de gás natural liquefeito (GNL) do Catar também foi atingido na mesma região, segundo fontes ligadas à segurança marítima ouvidas pela Reuters.
De acordo com quatro pessoas com conhecimento do assunto, a embarcação do Catar sofreu danos significativos ao cruzar a passagem. O incidente ocorreu após relatos de que a Guarda Revolucionária do Irã teria disparado mísseis contra navios que atravessavam a rota durante a madrugada.
Tensão no Estreito impulsiona os preços
O analista do Saxo Bank, Ole Hansen, destacou que o tema dominante desta manhã é justamente os disparos em Ormuz. "Isso está trazendo de volta ao preço algum prêmio de risco geopolítico. Não é muito em comparação com o que vimos no passado."
"Mas é o principal fator impulsionador da pressão de compra no mercado. Portanto, se houver qualquer nova escalada, o nível de US$ 75 seria o próximo a ser observado, antes de US$ 80", acrescentou à Reuters.
O chanceler do Irã destacou, ainda, que as negociações para um acordo final com Washington não avançarão enquanto os EUA mantiverem ameaças. A declaração foi uma resposta ao presidente Donald Trump, que prometeu "terminar o trabalho" caso um entendimento não seja alcançado.
Já o Japão deve receber um reforço no abastecimento de petróleo do Oriente Médio neste mês. Dados do setor de navegação indicam que dois superpetroleiros japoneses que estavam retidos voltaram a deixar o Estreito de Ormuz hoje transportando petróleo saudita.
Bancos revisam projeções para o petróleo
Bancos também revisam suas projeções para os próximos anos. O Société Générale passou a prever que o atual déficit de oferta dará lugar a um excedente a partir do fim de 2026, cenário que deve se estender ao longo de 2027, à medida que a produção superará a demanda.
O banco reduziu sua projeção para o Brent no quarto trimestre de 2026 para US$ 75 por barril, abaixo dos US$ 83 estimados antes; e cortou a expectativa para a média de 2027, de US$ 79 para US$ 73.O Société complementou ao afirmar que os estoques devem ser recompostos gradualmente, embora a volatilidade permaneça alta.
Arábia Saudita busca reduzir dependência
A Arábia Saudita avalia ampliar a capacidade do oleoduto que liga seus campos de petróleo à costa oeste, no Mar Vermelho, segundo cinco fontes com conhecimento do assunto consultadas pela agência.
A medida permitiria ao reino e possivelmente a países vizinhos escoar um volume maior de petróleo sem depender do Estreito de Ormuz, reduzindo a exposição a episódios como o de hoje.
