Petróleo sobe após EUA e Irã trocarem ataques, enquanto Israel avança no Líbano

Os preços do petróleo sobem acima de 3% nesta segunda-feira (1º), após Irã e Estados Unidos trocarem ataques e Israel ordenar que suas tropas avançassem ainda mais no Líbano em sua batalha contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
Os contratos futuros do petróleo bruto dos EUA avançavam US$ 3,05, ou 3,49%, para US$ 90,41 por barril às 4h48 (horário de Brasília). Os contratos futuros do Brent subiam US$ 2,87, ou 3,15%, para US$ 93,99 por barril.
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Os confrontos, ocorridos após Washington sediar negociações de paz entre Israel e Líbano na sexta-feira (29), reduziram as esperanças de que os EUA e o Irã anunciassem em breve uma extensão do cessar-fogo entre eles, expectativa que havia levado o Brent e o WTI a encerrarem o último dia da semana passada com quedas de 1,8% e 1,7%, respectivamente.
Os Estados Unidos afirmaram neste domingo (31) que realizaram “ataques em legítima defesa” contra instalações de radar e centros de controle de drones em Goruk e na Ilha de Qeshm, no Irã, durante o fim de semana, em resposta ao que classificaram como ações “agressivas” de Teerã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou nesta hoje que sua força aeroespacial atacou uma base aérea utilizada no que descreveu como um ataque americano a uma torre de telecomunicações na Ilha de Sirik.
Decisão que não chega
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou no fim da semana passada que decidiria sobre uma proposta para estender o cessar-fogo anunciado no início de abril, dando aos negociadores mais tempo para buscar um fim permanente para a guerra e encontrar uma solução para a disputa subjacente sobre o programa nuclear iraniano.
Israel seria peça fundamental em qualquer acordo desse tipo, com o Irã afirmando repetidamente que o Hezbollah deve ser incluído. Os EUA propuseram um plano de “desescalada gradual”, segundo o qual o Hezbollah interromperia inicialmente os ataques contra Israel em troca de Israel se abster de ampliar a escalada em Beirute, informou um funcionário americano ontem.
As preocupações com minas navais no Estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte de petróleo e gás, estão aumentando, escreveu o analista Tony Sycamore, da IG, em uma nota. Isso poderia retardar o processo de reabertura da hidrovia e significar que o alívio para o mercado de petróleo chegaria mais lentamente, mesmo após sua reabertura.
“Mesmo que um acordo seja alcançado, ele não resultará em uma enxurrada de oferta”, afirmou Sycamore.
Um repórter do Axios informou em rede social, na sexta-feira, que o Irã havia lançado mais minas no estreito no início da semana, pouco depois de o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmar que novas tentativas de instalar minas violariam o cessar-fogo.
O Estreito de Ormuz é uma passagem por onde transita cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás, e o Irã o mantém efetivamente fechado desde o início do conflito, desencadeado pelos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.
As preocupações com a oferta superaram os efeitos dos dados econômicos divulgados no fim de semana pela China, que mostraram uma atividade industrial estagnada. Isso reforçou os temores de que a segunda maior economia do mundo esteja perdendo fôlego, pressionada pela contração das exportações e pelos aumentos de custos.
O Goldman Sachs afirmou que a fraca demanda por petróleo na China e na Europa representa um importante risco de baixa para sua previsão de preço do Brent no quarto trimestre, de US$ 90 por barril, e para sua projeção do WTI, de US$ 83 por barril. Ainda assim, interrupções no fornecimento do Oriente Médio podem continuar impulsionando os preços para cima.
