Petróleo sobe quase 10% com novos bloqueios no Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira, 13, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a reimposição de um bloqueio naval contra o Irã em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. Os contratos futuros do Brent, referência internacional, avançavam 7,9%, a US$ 82,03 o barril, por volta das 13h54 (horário de Brasília) desta segunda. O WTI, referência americana, subia na mesma proporção, a US$ 77,10.
Trump exige pagamento de 20% sobre cargas
Em publicação em sua rede social, Trump afirmou que os EUA vão reinstaurar o bloqueio às embarcações iranianas, mas garantiu que "todos os outros países terão uso livre e justo do estreito. O presidente disse que o país vai proteger o tráfego em Ormuz, mas cobrará o equivalente a 20% do valor de toda a carga transportada pela via como forma de reembolso pelos custos de segurança.
Novo ciclo de ataques entre EUA e Irã
A decisão americana ocorre após um fim de semana de trocas de ataques. As Forças Armadas dos EUA lançaram uma nova onda de bombardeios contra o Irã no domingo, depois de atingir 140 alvos no sábado, segundo o Comando Central americano (Centcom). A ofensiva foi resposta a um ataque da Guarda Revolucionária Islâmica contra um navio-contêiner que cruzava o estreito.
O Irã revidou na manhã de domingo com ataques a instalações militares americanas na Jordânia, no Kuwait, no Bahrein e em Omã, segundo a agência estatal iraniana Tasnim.
Estreito segue sob disputa de narrativas
A mídia estatal iraniana afirmou que a Guarda Revolucionária fechou Ormuz até segunda ordem, mas o Centcom contestou a informação e disse que o estreito segue aberto "a todas as embarcações que buscam trânsito legal". Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, Trump também tinha classificado o estreito como aberto. A empresa de inteligência marítima Windward rastreou nove navios cruzando a via no sábado.
O Centro Conjunto de Informação Marítima, coalizão naval liderada pelos EUA no Bahrein, informou que a rota sul, pelas águas de Omã, segue livre para tráfego de entrada e saída, mas recomendou "extrema vigilância" aos navegantes diante da gravidade da situação de segurança.
Quarta rodada de bombardeios em uma semana
Os ataques do fim de semana marcam a quarta vez em sete dias que os EUA bombardeiam o Irã, em retaliação a ataques a navios comerciais que cruzam o corredor sul de Ormuz, protegido pela Marinha americana. O Irã, por sua vez, exige que as embarcações usem uma rota alternativa, ao norte, dentro de suas águas territoriais, alegando controle sobre o estreito.
A nova escalada nasce de interpretações conflitantes sobre como Ormuz deveria voltar a operar normalmente após o acordo de paz provisório assinado por Washington e Teerã em 17 de junho. Antes dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, cerca de 20% do petróleo mundial passava pela via.
O tráfego despencou com os primeiros ataques iranianos a navios em março, teve recuperação após o acordo de junho e agora volta a cair: dados da consultoria Kpler mostram queda de 52% nas travessias confirmadas na comparação semanal, com apenas seis navios cruzando o estreito em uma janela de 12 horas, ante uma média de 18 a 22 embarcações por dia no início do mês.
Como alternativa de longo prazo à dependência de Ormuz, a operadora portuária DP World, de Dubai, negocia a construção de um novo porto em Fujairah, no Golfo de Omã, fora do estrangulamento geográfico do estreito.
Bolsas e ativos de risco reagem
A escalada geopolítica pesou sobre Wall Street. O S&P 500 caiu 0,7%, o Dow Jones recuou 121 pontos (0,2%) e o Nasdaq perdeu 1,4%, puxado pela queda de ações ligadas à inteligência artificial. Ações de semicondutores lideraram as perdas, com a Micron Technology recuando 4,9% e a Nvidia cedendo 3,2%.
No mercado de juros americano, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu para 4,62%, ante 4,56% na sexta-feira, refletindo o temor de que o petróleo mais caro pressione a inflação global. O bitcoin, por sua vez, recuou para perto de US$ 62.600, movimento típico de ativos de risco em momentos de tensão geopolítica.
*com agências internacionais
