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09/09/2026
5 min

Petróleo volta a US$ 100: entenda por que subiu e como afeta seu bolso

Brent atingiu o maior nível desde julho com ataques no Oriente Médio, estoques menores e retomada das compras de petróleo pela China

Petróleo volta a US$ 100: entenda por que subiu e como afeta seu bolso

O petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira, 9, pela primeira vez desde julho. A alta ocorre em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e ao aumento do risco de interrupções no transporte de petróleo pelo Oriente Médio. O Brent chegou a US$ 100,19 durante a sessão.

O movimento importa para o Brasil porque o petróleo é uma das principais referências para os preços de combustíveis e tem efeitos sobre transporte, custos de empresas e inflação. Mas isso não significa que a gasolina vá subir na mesma proporção ou imediatamente.

Por que o petróleo voltou a US$ 100?

O principal fator é a intensificação do conflito no Oriente Médio. Os ataques entre Estados Unidos e Irã aumentaram os riscos para o abastecimento de petróleo, principalmente porque o Estreito de Ormuz está no centro da disputa.

Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava pelo estreito. O fluxo caiu de cerca de 8 milhões a 9 milhões de barris por dia antes da retomada dos combates para menos de 2 milhões de barris por dia mais recentemente, segundo a Rystad Energy ao Financial Times.

O risco não está apenas no petróleo que deixa de chegar ao mercado. Quando navios passam a evitar uma rota considerada perigosa, o transporte fica mais caro e demorado, aumentando o prêmio de risco embutido na cotação da commodity.

A situação também se agravou com ataques de houthis, grupo apoiado pelo Irã, contra instalações de energia na Arábia Saudita. Os ataques atingiram operações do setor e ampliaram a preocupação com outra rota importante, o Mar Vermelho.

Por que a alta preocupa mais agora?

O mercado de petróleo está menos protegido contra uma interrupção prolongada do que estava no início do conflito. Os estoques globais vêm caindo e o volume de petróleo armazenado em navios também diminuiu.

Segundo a Vortexa à Bloomberg, a quantidade de petróleo em embarcações no mar caiu mais de 150 milhões de barris desde meados de julho. Ao mesmo tempo, a China retomou compras maiores de petróleo, aumentando a pressão sobre um mercado já mais apertado.

O resultado é uma combinação de oferta mais ameaçada, estoques menores e demanda ainda relevante. É por isso que analistas passaram a considerar que a alta pode ser mais persistente caso o conflito continue.

O petróleo a US$ 100 vai aumentar a gasolina?

Não necessariamente de forma imediata. No Brasil, o preço pago pelo consumidor depende de vários componentes, como o valor cobrado pela Petrobras, impostos, etanol misturado à gasolina e margens de distribuição e revenda.

Na semana de 30 de agosto a 5 de setembro, por exemplo, a gasolina tinha preço médio de R$ 6,51 no Brasil, segundo a Petrobras, com R$ 1,77 correspondentes à parcela da companhia. O restante incluía impostos, etanol e distribuição e revenda.

A Petrobras também afirma que não repassa automaticamente as oscilações internacionais ao consumidor. A companhia monitora diariamente as cotações internacionais, o câmbio e outras variáveis antes de decidir eventuais reajustes.

Isso significa que uma alta pontual do Brent não se transforma automaticamente em um aumento de igual proporção na bomba. Se o petróleo permanecer elevado por mais tempo, porém, a pressão sobre os preços domésticos tende a aumentar.

Como isso chega ao seu bolso?

O primeiro canal é o combustível. Gasolina e diesel mais caros elevam o custo de quem usa carro, mas o impacto vai além do motorista.

O diesel é especialmente importante para o transporte de cargas. Uma alta persistente pode aumentar o custo de levar alimentos, produtos industrializados e mercadorias entre cidades e estados, pressionando empresas e preços ao consumidor.

A aviação também pode sentir o efeito, já que o combustível de aviação acompanha o mercado internacional de derivados. O aumento dos custos pode pressionar passagens e margens das companhias aéreas.

Há ainda um efeito sobre a inflação. Se combustíveis, fretes e outros custos de energia permanecerem elevados, parte dessa pressão pode chegar aos preços de bens e serviços.

E o câmbio?

Para o consumidor brasileiro, existe uma segunda variável importante: o dólar. O petróleo é negociado internacionalmente em dólar, portanto a combinação de Brent mais caro com real mais fraco aumenta a pressão sobre os preços domésticos.

Por outro lado, um real mais valorizado pode amortecer parte desse efeito. Por isso, o impacto final não depende apenas de o Brent estar acima de US$ 100, mas também do comportamento do câmbio e das decisões de preço das empresas.

O que pode acontecer daqui para frente?

O principal fator a acompanhar é a duração do conflito. Se houver umaredução das tensões e o fluxo pelo Oriente Médio for normalizado, o prêmio de risco pode desaparecer e aliviar as cotações.

Se os ataques continuarem e afetarem de forma mais significativa a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz ou pelo Mar Vermelho, o mercado pode enfrentar uma restrição de oferta mais prolongada.

O cenário já levou bancos a revisarem suas projeções para o petróleo. Segundo a Reuters, instituições como Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram suas previsões recentes para o preço do Brent.

AutorEstela Marconi
FonteExame
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