Pfizer aposta em caneta emagrecedora aplicada apenas uma vez por mês

Depois de perder espaço na corrida pelos medicamentos para obesidade, a Pfizer quer voltar ao jogo. A farmacêutica apresentou novos resultados de sua candidata mais promissora para perda de peso, a berobenatida, e detalhou uma estratégia de longo prazo para disputar um dos mercados mais lucrativos da indústria farmacêutica.
A empresa pretende construir um portfólio completo de tratamentos voltados à obesidade e às doenças associadas, como diabetes, apneia do sono e osteoartrite do joelho, em uma tentativa de competir com líderes do setor como Novo Nordisk e Eli Lilly.
"Estamos entrando em uma nova era de inovação em medicina interna", afirmou Chris Boshoff durante encontro da Associação Americana de Diabetes, em Nova Orleans, em entrevista à Bloomberg.
Resultados positivos
Os novos dados divulgados pela companhia mostram que pacientes do estudo de Fase 2b VESPER-1 que receberam a dose semanal mais alta da berobenatida (GLP-1 de longa duração que adquiriu da Metsera) perderam, em média, 15,9% do peso corporal após oito meses de tratamento. Segundo a Pfizer, não houve sinais de estabilização da perda de peso nesse período.
"Nos estudos de Fase 2b, a berobenatida proporcionou perda de peso contínua e ininterrupta em todas as doses selecionadas para a Fase 3, mantendo um perfil tolerável à medida que os pacientes transitaram de uma dose semanal para uma dose mensal de manutenção", disse Jim List, diretor de medicina interna da Pfizer, em comunicado divulgado no sábado.
Em outro estudo (VESPER-3), envolvendo pacientes com sobrepeso ou obesidade sem diabetes, aqueles que receberam a dose mais alta do medicamento a cada quatro semanas perderam quase 15% do peso corporal após 14 meses.
Os resultados reforçam uma das principais apostas da empresa: transformar a berobenatida no primeiro medicamento da categoria GLP-1 com aplicação mensal. Atualmente, os tratamentos líderes de mercado, como Wegovy e Zepbound, exigem administração semanal.
A Pfizer havia enfrentado pressão dos investidores no início do ano, quando dados preliminares mostraram uma perda de peso de 12,3% após 28 semanas de tratamento mensal.
Corrida para alcançar os líderes
A ofensiva da Pfizer ganhou força após a aquisição da Metsera, concluída no ano passado por US$ 10 bilhões. Além da berobenatida, a operação trouxe especialistas em descoberta e desenvolvimento de medicamentos para a companhia.
Agora, a farmacêutica acelera os estudos clínicos em estágio avançado. Apenas em 2026, a empresa conduz 10 grandes ensaios de fase 3 envolvendo o medicamento injetável para obesidade e condições relacionadas.
Canetas emagrecedoras miram América Latina após 'boom' nos EUATambém estão previstos estudos internacionais em mercados estratégicos, como China e Japão.
Obesidade se tornou prioridade estratégica
A obesidade é vista pela indústria farmacêutica como a maior oportunidade comercial das últimas décadas. O segmento impulsionou o crescimento de empresas como Novo Nordisk e Eli Lilly e tornou-se peça-chave para a Pfizer compensar a queda das receitas geradas por vacinas e tratamentos contra a Covid-19.
Segundo os executivos da companhia, o objetivo é criar um ecossistema completo de tratamentos metabólicos, incluindo medicamentos injetáveis, comprimidos, terapias combinadas e produtos com intervalos de aplicação ainda mais longos.
A empresa também trabalha em compostos experimentais que, segundo Boshoff, poderão ser administrados apenas uma vez a cada três meses.
Além da eficácia clínica, a Pfizer aposta em sua capacidade de fabricação e distribuição para ganhar espaço no setor.
A companhia afirma já possuir infraestrutura global para produzir medicamentos para obesidade em larga escala, incluindo oito unidades dedicadas à fabricação de injetáveis estéreis.
Outro potencial diferencial está na própria berobenatida. Segundo a empresa, o medicamento utiliza uma quantidade menor de ingrediente ativo em comparação com concorrentes, o que pode facilitar a produção e reduzir custos.
Tratamentos mais personalizados
Para a Pfizer, a próxima fase do mercado de obesidade será marcada pela personalização dos tratamentos.
A expectativa é que futuras terapias sejam adaptadas ao perfil de cada paciente, levando em consideração fatores como genética, biomarcadores, preferências individuais e doenças associadas.
"Todas as doenças se tornaram mais individualizadas. Isso certamente acontecerá com as doenças metabólicas, incluindo a obesidade", afirmou Boshoff.
