PIB do Brasil deve crescer 2% em 2026, prevê OCDE; veja os números
Organização revisou para cima a projeção para a economia brasileira, mas prevê inflação de 5,1%; crescimento mundial deve ficar em 2,9%

A economia brasileira deve crescer 2% em 2026, segundo a nova projeção daOrganização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta quarta-feira, 23. A estimativa representa uma revisão para cima em relação aos 1,6% previstos pela organização em junho.
Arevisão ocorre em um cenário de maior resiliência da economia global diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio. Segundo a OCDE, investimentos relacionados à inteligência artificial, demanda doméstica e medidas de apoio dos governos ajudaram a compensar parte do impacto provocado pela alta dos preços de energia.
Os dados da OCDE para a economia brasileira são mais otimistas que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que acumula alta de 1,5% em 2026. O resultado foi divulgado pelo Banco Central (BC) na semana passada e veio acompanhado de queda de 1,2% na agropecuária, setor com participação de 6,1% no índice.
Apesar disso, o crescimento econômico brasileiro deve vir acompanhado de inflação ainda elevada. A OCDE prevê alta de 5,1% nos preços em 2026, acima dos 5% registrados na estimativa anterior. Para 2027, a projeção é de desaceleração para 4,3%.
Segundo a organização,o Brasil está entre os países emergentes que conseguiram sustentar a atividade apesar do choque de energia. O relatório afirma que o crescimento de economias como Brasil, Índia e Indonésia foi apoiado pela resiliência da demanda doméstica e por políticas governamentais que amorteceram o impacto dos preços mais altos da energia sobre famílias e empresas.
A inflação, porém, voltou a ganhar força em várias economias. Mais da metade dos países do G20 está atualmente com inflação acima da meta de seus bancos centrais, segundo a OCDE.
Veja as principais projeções da OCDE
| Economia | PIB 2026 | PIB 2027 | Inflação 2026 | Inflação 2027 |
|---|---|---|---|---|
| Brasil | 2,0% | 1,9% | 5,1% | 4,3% |
| Estados Unidos | 2,2% | 2,1% | 3,6% | 2,6% |
| China | 4,5% | 4,2% | 1,4% | 1,9% |
| Zona do euro | 1,0% | 1,0% | 3,0% | 2,9% |
| Argentina | 2,6% | 3,0% | 30,8% | 20,5% |
| Índia | 7,1% | 6,5% | 4,7% | 4,2% |
| Indonésia | 5,2% | 5,1% | 3,3% | 3,0% |
OCDE revisa para cima o crescimento global em 2026, mas diminuiu para 2027
A OCDE também elevou a projeção para o crescimento global em 2026, de 2,8% para 2,9%. Para 2027, porém, a previsão foi reduzida de 3,1% para 3%.
O desempenho deve variar bastante entre as principais economias. Nos Estados Unidos, o PIB deve avançar 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027. A OCDE avalia que os investimentos em inteligência artificial continuam impulsionando a atividade, mas a desaceleração do consumo e a perda de poder de compra devem limitar o crescimento.
Na China, a previsão é de crescimento de 4,5% neste ano e 4,2% no próximo. A economia chinesa deve desacelerar gradualmente, enquanto a inflação deve subir de 1,4% em 2026 para 1,9% em 2027.
Entre os casos mais extremos está a Argentina. A OCDE projeta crescimento de 2,6% em 2026 e 3% em 2027, masa inflação ainda deve ficar em 30,8% neste ano, antes de cair para 20,5% no próximo.
AÍndia aparece entre as economias de crescimento mais rápido, com expansão projetada de 7,1% em 2026 e 6,5% em 2027.
A questão inflacionária
A OCDE atribui parte da pressão recente ao aumento dos preços de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio. O choque, segundo a organização, foi parcialmente absorvido por estoques de petróleo, aumento da oferta fora da região do Golfo, redução do consumo e medidas de apoio dos governos.
A situação, porém, ainda representa um risco para o crescimento. A organização projeta que a inflação do G20 chegue a 4,1% em 2026, antes de recuar para 3,6% em 2027.
Nos países avançados do G20, a inflação básica deve passar de 2,7% em 2026 para 2,5% em 2027. Nos emergentes, a inflação cheia deve atingir 4,8% neste ano e cair para 4,3% no próximo.
Para o Brasil, a organização prevê que a política monetária possa continuar sendo flexibilizada àmedida que a inflação perca força. A OCDE observa que a taxa de juros brasileira já foi reduzida em mais de 1 ponto percentual desde março, partindo de um nível considerado bastante restritivo.
IA ajuda a sustentar o crescimento, mas mercado de energia é incerto
Um dos elementos que impediram uma desaceleração mais forte da economia global foi o avanço dos investimentos em inteligência artificial. A OCDE destaca que gastos com centros de dados, equipamentos tecnológicos e semicondutores estimularam produção, comércio e investimentos em diversos países.
Nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, os investimentos em estruturas de centros de dados e equipamentos tecnológicos ajudaram o PIB no segundo trimestre. Coreia do Sul e Japão também registraram impulso nas exportações de tecnologia.
Ao mesmo tempo, a OCDE alerta que o ritmo de investimento pode não se sustentar caso os retornos financeiros esperados com a IA não se concretizem. Uma eventual frustração poderia reduzir investimentos e afetar setores ligados à tecnologia, construção e engenharia.
O principal risco apontado pela OCDE continua sendo a duração dos problemas no mercado de energia. Uma interrupção mais longa das exportações do Oriente Médio poderia elevar ainda mais os preços e, consequentemente, reduzir o poder de compra das famílias e aumentar os custos das empresas.
A organização também cita eventuais choques climáticos, novos aumentos dos juros de longo prazo e uma possível decepção com os investimentos em IA entre os fatores capazes de prejudicar o crescimento.
Em um cenário ilustrativo elaborado pela própria OCDE, a combinação de energia mais cara, preços de alimentos mais altos e condições financeiras mais restritivas poderia reduzir o crescimento global em 0,7 ponto percentual em 2027 e elevar a inflação mundial em 1,1 ponto percentual.
