PIB dos EUA desacelera para 1,5% e inflação escala em meio à guerra com o Irã
Economia americana perde ritmo no segundo trimestre, enquanto preços avançam 5,7%; consumo e investimentos seguem sustentando a atividade, mas conflito no Oriente Médio pressiona energia e inflação

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos teve um crescimento de 1,5% no segundo trimestre de 2026, comparativamente ao mesmo período no ano anterior. O dado revela uma desaceleração no ritmo da economia, com recuo de 0,5 ponto percentual em relação ao crescimento de 2% do PIB no primeiro trimestre do ano. O resultado foi publicado nesta quinta-feira, 30, pelo Departamento de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) do governo norte-americano.
O órgão também divulgou os dados da inflação no país, que teve alta de 5,7% no trimestre, comparado à alta de 3,6% no período anterior. Tanto o recuo no crescimento do PIB quanto a alta na inflação ocorrem em meio à pressão econômica da guerra dos EUA contra o Irã, sobretudo no setor de combustíveis.
Embora o petróleo tenha recuado em relação aos picos registrados entre março e maio, os preços da gasolina e de outros derivados continuam pressionando famílias e empresas.
Por outro lado, o consumo das famílias acelerou. Segundo o BEA, o que manteve a economia americana crescendo a 1,5% foi o aumento dos gastos dos consumidores, dos investimentos privados, principalmente em inteligência artificial, e das exportações. Esses fatores compensaram parcialmente a redução dos gastos do governo e oavanço das importações, que reduzem o PIB no cálculo das contas nacionais.
Um dos indicadores acompanhados de perto pelos economistas, as vendas finais para compradores privados domésticos — que reúnem o consumo das famílias e o investimento privado fixo — cresceram 3,9% no segundo trimestre, acima dos 1,7% registrados entre janeiro e março.
Segundo análise do New York Times, esse desempenho mostra que a demanda interna e o consumo permanecem altos, apesar da perda de renda real das famílias provocada pela inflação.
Inflação elevada aumenta incertezas
O índice de preços das compras domésticas brutas avançou 5,7% no trimestre, acima dos 3,6% registrados anteriormente. Já o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE), principal referência de inflação do Federal Reserve (Fed), subiu 5,1%.
A guerra entre Estados Unidos e Irã contribuiu para elevar os custos de energia e afetou cadeias globais de abastecimento. Embora os preços do petróleo tenham perdido parte da força nas últimas semanas, os efeitos continuam sendo sentidos nos combustíveis e em produtos derivados.
Especialistas ouvidos pelo New York Times avaliam que a economia americana vive um momento de incerteza, com inflação persistente, crescimento mais fraco e expectativa de custos maiores de financiamento caso o Fed decida endurecer a política monetária.
Fed mantém juros, mas pressão aumenta
Na quarta-feira, 29, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75%. Apesar da decisão, três dos doze integrantes do comitê votaram por um aumento dos juros, refletindo a preocupação com a inflação.
O presidente da instituição,Kevin Warsh, reafirmou que controlar a inflação é a principal prioridade do banco central, mas evitou sinalizar quando uma eventual alta dos juros poderá ocorrer.
Enquanto isso, os mercados financeiros reagiram com cautela. Os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo subiram após a decisão do Fed, refletindo dúvidas dos investidores sobre a capacidade da autoridade monetária de conter a inflação sem comprometer ainda mais o crescimento econômico.
