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30/07/2026
4 min

PIB e inflação dos EUA, desemprego no Brasil, Apple e Vale: o que move os mercados

No calendário corporativo, a temporada de balanços segue intensa com os resultados de Apple, Amazon, Mastercard e Shell, nos EUA, e Vale e Ambev no Brasil

PIB e inflação dos EUA, desemprego no Brasil, Apple e Vale: o que move os mercados

Depois da decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano nos Estados Unidos, os mercados entram na sessão desta quinta-feira, 30, ainda digerindo os recados do banco central americano.

Embora a manutenção da taxa fosse amplamente esperada, o presidente da instituição, Kevin Warsh, reforçou que novas altas permanecem no radar caso a inflação continue resistente, o que elevou a cautela dos investidores e provocou uma forte correção em Wall Street, além disso, três membros votaram para elevar a taxa a 3,75% e 4% ao ano. Agora, o foco se volta para uma bateria de indicadores que ajudará o mercado a calibrar as expectativas para os próximos passos da política monetária dos EUA e do Brasil.

O que acompanhar

A agenda do dia concentra justamente alguns dos dados mais importantes para o Fed. Às 9h30 (horário de Brasília), serão divulgados a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) americano do segundo trimestre, os números de renda e gastos pessoais de junho e, principalmente, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida de inflação preferida do banco central americano. O mercado projeta crescimento anualizado de 2,3% para a economia dos Estados Unidos, após expansão de 2,1% no trimestre anterior. Já para o PCE, a expectativa é de desaceleração tanto no índice cheio quanto no núcleo, movimento que poderá influenciar as apostas para as próximas reuniões do Fed.

No mesmo horário, também serão conhecidos os pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Os investidores acompanham de perto qualquer sinal de enfraquecimento do mercado de trabalho, uma das principais variáveis observadas pelobanco central americano na condução da política monetária.

Antes da abertura dos mercados americanos, a atenção estará voltada para a Europa. Ao longo da manhã serão divulgados os dados preliminares do PIB da Alemanha, França, Itália, Espanha e da Zona do Euro referentes ao segundo trimestre, além da taxa de desemprego do bloco e dos indicadores de confiança do consumidor. Os números ajudarão a medir o ritmo de recuperação da economia europeia em meio ao ciclo de flexibilização monetária conduzido pelo Banco Central Europeu (BCE).

No Brasil, os investidores acompanham às 8h a divulgação do IGP-M de julho, conhecido como a inflação do aluguel. O mercado espera uma queda de 1,07% no indicador, após recuo de 0,50% em junho.

Na sequência, às 9h, o IBGE divulga a taxa de desemprego de junho, com expectativa de leve melhora para 5,5%, ante 5,6% registrados no mês anterior. Também estão no radar a divulgação dos dados de crédito bancário pelo Banco Central e a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Novos balanços no radar

No calendário corporativo, a temporada de balanços segue intensa. Nos Estados Unidos, os resultados de Apple, Amazon, Mastercard e Shell devem movimentar as negociações após o fechamento das bolsas. No Brasil, as atenções se concentram nos números de Vale e Ambev, da bolsa brasileira.

Na Ásia, o destaque fica para a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs) da China, que serão publicados no fim da noite. Os indicadores servirão como termômetro da atividade da segunda maior economia do mundo e podem influenciar o desempenho de commodities, especialmente minério de ferro e petróleo.

Além da agenda econômica, o mercado seguirá monitorando o cenário geopolítico. A escalada das tensões no Oriente Médio levou o petróleo a disparar na véspera, diante dos temores de interrupções na oferta global. No fechamento de quarta-feira, o Brent avançou 7,91%, para US$ 90,74 por barril, enquanto o WTI subiu 6,56%, para US$ 84,46. A continuidade desse movimento poderá seguir favorecendo ações do setor de petróleo.

Na política, o dia também reserva eventos que podem repercutir entre os investidores. Estão previstas a convenção nacional do PCdoB para oficializar apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição e a divulgação de novas pesquisas eleitorais da PoderData, Genial/Quaest e Real Time Big Data, que ajudarão o mercado a acompanhar o cenário da sucessão presidencial.

Na sessão anterior, o Ibovespa caiu 1,52%, aos 173.885 pontos, pressionado principalmente pelas ações de bancos e siderúrgicas. O desempenho negativo refletiu tanto a repercussão da decisão do Fed quanto a forte queda das ações do Santander após o balanço trimestral. Na direção oposta, Petrobras e Prio sustentaram ganhos impulsionadas pela disparada do petróleo. O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,27%, cotado a R$ 5,108, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana após a coletiva do presidente do Fed. Wall Street também fechou em queda, com os investidores ajustando posições diante da sinalização de que novas altas de juros continuam sendo uma possibilidade caso a inflação permaneça elevada.

AutorClara Assunção
FonteExame
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