PIB e inflação dos EUA e balanços da Vale, Ambev e Amazon: o que move os mercados
Eli Lilly, Mastercard, Intel, Sandisk e Starbucks também estão entre os destaques do calendário de balanços nesta quinta, 29

Os mercados chegam à quinta-feira, 29, ainda sob pressão da reprecificação dos ativos brasileiros após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na véspera, o Ibovespa caiu 2,68%, voltou à faixa dos 171 mil pontos e acumulou novas perdas em meio à falta de sinalizações sobre o ajuste fiscal do próximo mandato. O dólar encerrou em leve queda, de 0,19%, a R$ 5,34, mas chegou a R$ 5,40 durante o pregão.
Nesta quinta, os investidores seguem atentos aos próximos passos da política econômica do governo, enquanto avaliam os efeitos da decisão de juros do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos. Aautoridade monetária manteve a taxa básica americana entre 3,75% e 4% ao ano, mas a comunicação foi interpretada como mais favorável a uma política monetária restritiva, diante da resiliência da economia e da persistência da inflação.
A agenda econômica reúne indicadores de atividade e preços nos Estados Unidos, dados de inflação e confiança no Brasil, além de números do mercado de trabalho e das contas públicas. No calendário corporativo, os balanços de Vale e Ambev, no Brasil, e de Amazon, Eli Lilly, Mastercard, Intel, Sandisk e Starbucks, nos Estados Unidos, também entram no radar.
O que acompanhar
Às 9h30 (horário de Brasília), o mercado recebe uma bateria de indicadores dos EUA. Entre os destaques estão a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, os dados de renda e gastos pessoais de setembro e o índice de preços de gastos com consumo, conhecido como PCE, referência de inflação para o Federal Reserve.
O PIB americano cresceu 2,2% no segundo trimestre, na comparação trimestral. O resultado do terceiro trimestre ajudará os investidores a avaliar o ritmo da atividade econômica da maior economia do mundo e seus possíveis efeitos sobre a trajetória dos juros.
No mesmo horário, serão divulgados os números de renda e consumo pessoal de setembro. Em agosto, a renda pessoal avançou 0,2%, enquanto os gastos com consumo cresceram 0,9%, na comparação mensal.
A atenção também estará voltada ao PCE de setembro e à sua medida subjacente, que exclui os componentes mais voláteis. Em agosto, o índice cheio subiu 0,3% no mês e acumulou alta de 3,4% em 12 meses. O núcleo avançou 0,2% na comparação mensal e 3% em 12 meses.
Os dados serão acompanhados após o Fed manter os juros na quarta-feira, em uma decisão que evidenciou divergências entre os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Enquanto a maioria votou pela manutenção da taxa, Lisa Cook e Beth Hammack defenderam novas altas, segundo a avaliação do economista Yihao Lin, da Genial Investimentos.
O comunicado também passou a classificar o crescimento da economia americana como forte, em vez de sólido, reforçando a percepção de resiliência da atividade. A comunicação manteve a preocupação com a inflação e preservou a possibilidade de uma nova alta de 0,25 ponto percentual em dezembro, na avaliação do mercado.
Ainda às 9h30, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. O dado anterior foi de 194 mil solicitações. Os investidores também acompanham, às 14h, o leilão de títulos do Tesouro americano de sete anos, que pode oferecer sinais sobre a demanda por papéis da dívida do país.
No Brasil, a agenda começa às 8h, com a divulgação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de outubro, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Em setembro, o indicador subiu 1,57% no mês e acumulou alta de 3,34% em 12 meses.
No mesmo horário, a FGV publica as sondagens do comércio e de serviços, que ajudam a medir a percepção dos empresários sobre as condições atuais e as perspectivas para a atividade econômica. Em setembro, os indicadores estavam em 81,3 pontos e 88,1 pontos, respectivamente.
Às 8h30, o Banco Central divulga as estatísticas de crédito bancário referentes a setembro. Em agosto, o saldo das operações de crédito registrou crescimento de 9,2%, segundo os dados da agenda.
Os números serão acompanhados em um momento em que os investidores tentam avaliar os rumos da economia brasileiraapós o resultado eleitoral. A falta de sinalizações concretas sobre as contas públicas e a possibilidade de mudanças na tributação de investimentos seguem entre os fatores de cautela para os ativos locais.
A agenda inclui ainda a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com dados de setembro, e do resultado primário do Governo Central no mesmo mês. Em agosto, o saldo do mercado formal de trabalho foi positivo em 165,8 mil vagas, enquanto o resultado primário do governo central registrou déficit de R$ 13,6 bilhões.
Os dados podem ajudar a compor o quadro sobre a atividade econômica e as contas públicas, dois pontos importantes para a avaliação dos investidores sobre os próximos passos da política econômica.
Agenda corporativa e política econômica
No calendário de balanços, Vale e Ambev estão entre os destaques brasileiros. Nos Estados Unidos, os investidores acompanham os resultados de Amazon, Eli Lilly, Mastercard, Intel, Sandisk e Starbucks.
Os números das empresas podem influenciar o desempenho de setores específicos e oferecer indicações sobre consumo, demanda e perspectivas de negócios, em um dia em que os mercados também seguem avaliando o cenário macroeconômico internacional.
Na agenda do governo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem reunião extraordinária virtual do Conselho Monetário Nacional (CMN), marcada para as 15h. Às 16h, está prevista uma reunião interna com Regis Dudena, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda.
