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InvestMercados
17/08/2026
4 min

'Pior crise financeira da história': Casas Bahia detalha plano para evitar colapso

Petição de recuperação judicial revela medidas urgentes para preservar caixa, contratos e fornecedores após a “pior crise financeira” da história do grupo

'Pior crise financeira da história': Casas Bahia detalha plano para evitar colapso

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo buscando proteção para reorganizar uma dívida sujeita ao processo de R$ 17,3 bilhões e evitar uma deterioração ainda maior de sua operação.

A petição inicial, protocolada no domingo, 16, e obtida pela EXAME, detalha que a companhia considera enfrentar a “pior crise financeira desde a sua fundação” e pede uma série de medidas urgentes para preservar o funcionamento das lojas, garantir o abastecimento de produtos e suspender cobranças durante o processo de negociação com credores.

O pedido foi apresentado pelo Grupo Casas Bahia S.A. e outras nove empresas do conglomerado, incluindo Cnova Comércio Eletrônico, Indústria de Móveis Bartira, Casas Bahia Tecnologia, além das companhias de logística ASAP Log e CNTLOG.

O valor da causa corresponde ao total dos créditos sujeitos à recuperação judicial: R$ 17,322 bilhões. A companhia afirma que o objetivo é permitir uma reestruturação organizada das dívidas, preservar mais de 20 mil empregos diretos e manter a continuidade de uma operação que atende mais de 105 milhões de consumidores, segundo os documentos.

O que levou a Casas Bahia à recuperação judicial

Segundo a petição, a crise financeira foi resultado de uma combinação de fatores internos e externos. A empresa aponta como um dos principais impactos o ciclo prolongado de juros elevados no Brasil. A taxa Selic, segundo o documento, saiu de 2% em 2021 para 15% em 2025, pressionando a renda das famílias e reduzindo o consumo de bens duráveis, principal mercado da companhia.

A pandemia de Covid-19 também aparece como um dos fatores que pressionaram a operação. Segundo a Casas Bahia, o fechamento temporário de lojas físicas e a aceleração da estratégia digital elevaram custos e exigiram investimentos relevantes.

Outro ponto citado foi o próprio modelo de negócio do varejo de eletroeletrônicos e móveis, que depende de capital de giro elevado para financiar estoques e operações de crediário.

A companhia já havia realizado uma recuperação extrajudicial em 2024, utilizada para alongar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, porém, a continuidade do cenário econômico adverso impediu uma recuperação completa.

No primeiro semestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 11,181 bilhões e encerrou junho com patrimônio líquido negativo de R$ 8,270 bilhões.

Casas Bahia pede suspensão de cobranças por 180 dias

Entre os principais pedidos feitos à Justiça está a concessão do chamado stay period, mecanismo previsto na Lei de Recuperação Judicial que suspende ações de cobrança e execuções contra a empresa por 180 dias.

A companhia também pediu que credores sejam impedidos de antecipar o vencimento de contratos apenas pelo fato de a recuperação judicial ter sido solicitada.

Segundo a petição, a medida é necessária porque contratos financeiros e comerciais que somam mais de R$ 10 bilhões poderiam ser afetados por cláusulas de vencimento antecipado.

A empresa também solicitou a manutenção de contratos considerados essenciais para a operação, como:

  • fornecimento de energia e água;
  • sistemas de tecnologia;
  • serviços de segurança;
  • benefícios de funcionários;
  • contratos de aluguel das lojas.

Outro pedido envolve a liberação de aproximadamente R$ 750 milhões em depósitos recursais trabalhistas para reforçar o caixa operacional.

Empresa quer garantir estoque e fornecedores

A recuperação judicial também busca evitar uma interrupção na cadeia de abastecimento. A Casas Bahia pediu que fornecedores mantenham a entrega de mercadorias já compradas e em trânsito, além da proteção dos estoques contra medidas de execução de garantias.

A preocupação está ligada ao modelo operacional do varejo, em que disponibilidade de produtos é essencial para manter vendas nas lojas físicas e canais digitais.

A companhia possui atualmente mais de 700 lojas físicas em 21 estados e no Distrito Federal, além das marcas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e Bartira.

A Indústria de Móveis Bartira, uma das empresas incluídas no pedido, é apontada pela companhia como a maior fábrica de móveis da América Latina e representa cerca de 35% das vendas de móveis do grupo.

Próximos passos

A recuperação judicial ainda depende da análise da Justiça. Caso seja aceita, a companhia deverá apresentar um plano de recuperação aos credores dentro dos prazos previstos na legislação.

O processo envolve a negociação com bancos, fornecedores e demais credores para definir como as dívidas serão reestruturadas.

A Casas Bahia afirma que a medida busca preservar a operação e criar condições para uma retomada sustentável, sem interromper o atendimento aos consumidores.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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