'Pix americano': Bradesco vai operar pagamentos via Zelle nos EUA

O Bradesco anunciou que clientes do Bradesco Principal com conta no Bradesco Bank, suasubsidiária nos Estados Unidos, passam a ter acesso ao Zelle, uma das principais redes de pagamentos digitais do país.Com a ferramenta, os usuários podem enviar e receber recursos instantaneamente entre contas de diferentes instituições no país.
O serviço não tem custo adicional, exigindo apenas o cadastro de um e-mail ou número de telefone americano. Segundo Daniela de Castro, diretora do Bradesco Principal, a novidade busca atender clientes que transitam entre o Brasil e os Estados Unidos, oferecendo conveniência e agilidade equivalentes às práticas locais de pagamentos instantâneos.
Já Carlos Leibowicks, diretor do Bradesco Bank, destacou que a integração ao Zelle fortalece a atuação da instituição como elo estratégico entre os sistemas financeiros brasileiro e americano.
O Bradesco Principal conta atualmente com cerca de 60 escritórios e planeja inaugurar mais 50 até o fim do ano, ultrapassando 100 unidades.
O 'Pix americano'
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro chegou a sugerir, no início de junho, que o Brasil poderia usar o Zelle no lugar do Pix. A menção ocorreu após o governo americano sinalizar uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros, citando o Pix como fator de suposta vantagem competitiva do Brasil. Após críticas, o ex-deputado negou que tenha proposto substituir o Pix pelo sistema americano, reafirmando seu apoio à infraestrutura nacional.
O Zelle é um serviço privado de pagamentos operado desde 2017 por bancos americanos, incluindo Bank of America, JPMorgan, Capital One e outros, disponível em mais de 2,4 mil aplicativos bancários nos EUA. Ele permite transferências instantâneas entre contas de diferentes instituições mediante e-mail ou telefone, com custos variáveis dependendo do banco.
Ele depende de parcerias voluntárias com bancos específicos e, se o destinatário não tiver conta em uma instituição parceira do Zelle, a transferência torna-se inviável. Além disso, seu uso é predominantemente pessoal, sem tanta penetração no varejo. Em comparação, o Pix é um sistema público brasileiro, gratuito para pessoas físicas eMEIs, e usado por mais de 170 milhões de brasileiros, movimentando R$ 35,4 trilhões em 2025.
A iniciativa do Bradesco, no entanto, não substitui o Pix, que permanece gratuito e operado pelo Banco Central, mas amplia o portfólio de soluções para clientes internacionais.
