Pix ou dinheiro físico? Pesquisa revela a preferência dos idosos no Brasil
Levantamento do Banco Central mostra que 72,7% dos brasileiros acima de 60 anos ainda usam dinheiro em espécie com frequência, apesar do avanço dos pagamentos digitais

O Pix mudou a maneira como os brasileiros pagam suas contas. Em quatro anos, tornou-se o meio de pagamento mais utilizado no país, deixando para trás cartões e dinheiro em espécie.
Mas as notas e moedas estão longe de desaparecer. Entre os brasileiros com mais de 60 anos, 72,7% ainda utilizam dinheiro físico com frequência. O Pix, por sua vez, é usado frequentemente por 43,9% desse público.
Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Banco Central em 2024 e retomada no Relatório de Cidadania Financeira 2025. O estudo mostra que a digitalização dos pagamentos avança em ritmos diferentes, sobretudo quando se considera a idade e o acesso à tecnologia.
Em 2021, apenas 16,7% dos brasileiros apontavam o Pix como seu principal meio de pagamento. Em 2024, esse percentual chegou a 46,1%. No mesmo período, a proporção de pessoas que declararam usar dinheiro em espécie muito frequentemente caiu de 20,1% para 13,2%.

Por que os idosos ainda usam dinheiro?
A diferença não se explica apenas pelo hábito de carregar cédulas na carteira. O acesso à internet também ajuda a entender essa preferência.
Em 2024, somente 59% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizavam a internet, segundo a pesquisa TIC Domicílios, citada pelo Banco Central. Embora o percentual tenha aumentado nos últimos anos, parte dessa população ainda encontra dificuldades para utilizar serviços digitais.
O próprio relatório aponta que a menor adesão dos idosos ao Pix pode estar relacionada à insegurança ou à dificuldade de utilizar essas ferramentas.
Isso não significa que quem usa dinheiro rejeita o Pix. Os dois meios convivem: uma pessoa pode fazer transferências pelo celular e continuar pagando pequenas compras com notas.
O valor gasto também faz diferença. Segundo a pesquisa, o dinheiro físico era utilizado em 43,3% das compras de até 10 reais.
O desafio de não deixar ninguém para trás
A permanência do dinheiro em espécie ganha importância diante de outra transformação: a redução do atendimento bancário presencial.
Entre 2020 e 2024, o Brasil perdeu 2.749 agências bancárias, uma queda de 14,6%. Ao final desse período, 520 municípios dependiam exclusivamente de correspondentes bancários para atendimento financeiro.

Nesse cenário, manter o acesso a saques e ao dinheiro em espécie continua sendo importante para quem não utiliza serviços digitais com facilidade. Redes de autoatendimento, como o Banco24Horas, operado pela Tecban, fazem parte dessa estrutura de acesso.
O desafio da inclusão financeira, portanto, vai além de ensinar a população a utilizar o Pix. Também envolve garantir que as pessoas possam movimentar seus recursos de diferentes maneiras.
O dinheiro físico pode estar perdendo espaço nas estatísticas. Mas, para milhões de brasileiros, ainda não perdeu sua utilidade.
