Pizza Hut e Outback podem ter o mesmo dono: entenda a negociação
IMC confirma conversas com a Vinci, que controla o Outback no Brasil; ainda não há acordo fechado

A Pizza Hut e o Outback podem acabar debaixo do mesmo guarda-chuva no Brasil. A International Meal Company (IMC), dona de marcas como Frango Assado e Viena e responsável pela operação da pizzaria no país, confirmou que mantém conversas com a Vinci Partners, que controla a operação brasileira do Outback.
A IMC afirmou que contratou uma assessoria especializada para estudar alternativas para expandir seus ativos estratégicos. De acordo com a companhia, essa assessoria vem conversando com diferentes participantes do mercado, entre eles a Vinci. As discussões estão em "estágio exploratório."
O conselho de administração da IMC sabe das conversas, mas, segundo a empresa, não tem conhecimento de qualquer proposta ou condição econômico-financeira para uma eventual transação. A companhia também reforçou que não existe instrumento assinado para compra, venda ou combinação de negócios.
A Vinci assumiu o controle da operação brasileira da Bloomin' Brands no fim de 2024. O acordo, assinado em novembro daquele ano e concluído em 30 de dezembro, deu a um fundo ligado à gestora 67% do negócio no Brasil, que reúne as marcas Outback Steakhouse, Abbraccio e Aussie Grill.
A Bloomin' Brands permaneceu com os 33% restantes, ao passo que a aquisição dos 67% foi fechada por R$ 1,4 bilhão, valor que atribuía à operação brasileira um enterprise value de R$ 2 bilhões.
Do outro lado, está uma IMC bem diferente daquela que atravessou a pandemia.
IMC passou por uma reorganização
A companhia foi duramente atingida pelas restrições de circulação durante a covid-19, quando grande parte de seus negócios estava ligada a locais que sofreram com a queda do fluxo de pessoas, como aeroportos, rodovias e shoppings.
Nos últimos anos, a IMC passou a simplificar seu portfólio, vender ativos e reforçar o balanço. A reorganização incluiu a saída de operações internacionais e, mais recentemente, do KFC no Brasil.O movimento com o KFC começou em março de 2025, quando a IMC assinou um acordo com a Kentucky Foods Chile para formar uma parceria societária para a operação brasileira da rede. A companhia posteriormente vendeu a participação restante e encerrou 2025 com a alienação de 100% da operação do KFC concluída.
A estratégia ajudou a mudar o perfil financeiro do grupo e, ao fim de 2025, a IMC reportava dívida líquida de R$ 241 milhões, queda de 33%, e alavancagem de 2,5 vezes. A empresa também vinha reduzindo despesas corporativas e concentrando recursos nas operações consideradas prioritárias.
Agora, Pizza Hut e Frango Assado ganharam mais peso dentro do portfólio.
No segundo trimestre deste ano, a companhia destacou a evolução operacional da Pizza Hut, que registrou crescimento de 12,9% no período e melhora do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado.
A IMC também apontou avanço nas operações de rodovias e nas lojas reformadas de suas marcas nacionais.
