Pizza, petiscos e futebol de botão: marca aposta em experiência para crescer até 25% na Copa

O Brasil estreia na Copa do Mundo neste sábado, dia 13 de junho, às 19h contra o Marrocos.
Com esse e os demais jogos da fase de grupos ocorrendo no período da noite, a Di Bari Mercato, loja e fábrica de massas de pizza e pizzas congeladas, vê nas redondas uma boa pedida para os encontros entre amigos e família para assistir aos jogos.
A empresa espera um aumento de até 25% no faturamento durante o período. Ao final de 2026, o negócio, que nasceu em 2020 e está localizado na capital paulista, deve faturar R$ 10 milhões.
Além dos produtos tradicionais, a empresa apostou em uma embalagem especial, kits de petiscos e em um brinde de futebol de botão personalizado.“Os jogos à noite ajudam muito o nosso mercado, porque o consumidor sai do trabalho querendo praticidade e uma experiência rápida para reunir os amigos e a família em casa. É uma opção mais prática que o tradicional churrasco”, diz Marcos Lee, fundador da Di Bari Mercato.
Para além do evento, a empresa mira expansão da fábrica, com o impulsionamento das vendas pelo B2B.
Estratégia evita descontos e aposta em experiência
Promoções e preços exclusivos são apostas comuns em datas temáticas, mas Lee entendia que essa não era a melhor estratégia para a Di Bari Mercato.
“Sempre tivemos muito claro o valor do nosso produto, então a ideia nunca foi entrar em uma guerra de descontos por causa da Copa”, diz Lee.
Tiveram a ideia de reforçar a comunicação da marca. “Vendemos a pizza pré-assada, mas também a massa e kits com demais insumos. O que mais representa a nossa marca é ver as pessoas reunidas em volta da pizza, participando juntas da experiência”, afirma.
Para isso, idealizaram um jogo de botão – com caixas personalizadas, que podem ser recortadas para virar jogadores. A cada R$ 300 em compra, o consumidor pode ganhar um kit pronto de futebol de botão.
Marcos Lee, fundador da Di Bari Mercato: 'O que mais representa a nossa marca é ver as pessoas reunidas em volta da pizza, participando juntas da experiência' (Gabriela Braza)
Durante a idealização do projeto de design, a empresa se preocupou com limites impostos pelos direitos autorais, com desenhos próprios que trazem referência aos jogadores, mas sem ser uma cópia exata da imagem.
“Existe uma série de restrições envolvendo marcas, personagens, referências do futebol e até ao próprio nome da Copa, então trabalhamos a campanha com muito cuidado jurídico e criativo”, diz Lee.
Além do jogo, a empresa também apostou em kits de petiscos pensados para a Copa, que utilizam ingredientes em comum com a pizza em formato de entrada, como queijo, calabresa, molhos e pizza servida como pão.O evento também deve aumentar a procura do B2B. “A Copa movimenta muito o food service, porque hotéis, eventos e empresas passam a buscar soluções rápidas para atender grandes grupos”, diz.
As ações para a Copa vão durar três meses, impulsionadas por anúncios nas redes sociais. Durante o período, a expectativa é que o faturamento cresça entre 25% e 30%. No B2C, a casa espera até 20% de novos clientes.
“Mesmo antes dos jogos, a demanda já acelerou: em apenas dez dias de junho, alcançamos metade do faturamento de um mês normal”, afirma Lee.
Fidelização baseada em atendimento
Chegando a novos clientes, a expectativa é de fidelização. Segundo o empresário, a estratégia de retenção da marca não está baseada em promoções agressivas, mas na construção de experiência e relacionamento com o consumidor.
Como o modelo de preparo das pizzas ainda exige adaptação de parte dos clientes, a empresa aposta em atendimento humanizado, suporte durante o uso dos produtos e orientação sobre preparo, temperatura e formas de consumo.“Chegamos a testar IA, mas ainda sentíamos muita confusão e falta de proximidade. Hoje, o nosso foco é capacitar pessoas para oferecer um atendimento mais próximo e eficiente”, diz.
Da pizzaria de bairro ao crescimento no food service
A história da Di Bari Mercato começa a partir da conexão de Marcos Lee com a pizzaria Di Bari, localizada no bairro do Ipiranga, em São Paulo.Lee comandava um negócio voltado para a produção de hambúrguer artesanal em casa. Ele conheceu a pizzaria, inaugurada em 2017 pelo casal Rodrigo e Mayra Lattarulo Schmidt, e viu potencial de expansão para o negócio.
“Quando conheci o casal, falei brincando que a pizzaria deles precisava estar no circuito dos Jardins, porque já naquela época via que o produto tinha um potencial para crescer além do bairro”, diz Lee.
A virada aconteceu durante a pandemia, em 2020, quando Rodrigo o convidou para ocupar um pequeno espaço anexo ao delivery da pizzaria.
A ideia inicial era simples: vender massas de pizza pré-assadas, fornecidas pela Di Bari Pizza, e insumos para preparo em casa. O projeto nasceu sem grandes pretensões, mas ganhou público de forma orgânica – tendo a pizzaria como holofote.
Também de forma orgânica, o negócio recebeu a procura de uma construtora, que pediu grandes volumes de pizza para eventos de lançamento. “Foi uma demanda tão grande que a gente não tínhamos estrutura para armazenar tudo, virou um desafio enorme no começo”, afirma.
“Estamos mostrando que a pizza pré-assada e até a congelada podem chegar a um nível tão bom quanto o de uma pizzaria. A proposta é levar para casa ou para o negócio exatamente o mesmo produto e o mesmo trabalho que a pizzaria entrega”, diz Lee.
A empresa passou a atrair também hotéis, clubes, eventos e até pequenos restaurantes. Com a alta demanda decidiram ir além da loja, com a inauguração de uma fábrica para dar conta da produção. Entre os clientes, estão nomes como Clube Pinheiros, Alphaville Tênis Clube, Mambo e o rooftop do edifício Martinelli.
A Di Bari Mercato trabalha com massas de pizza, pizzas pré-assadas e congeladas, além de kits e insumos para preparo em casa (Gabriela Braza)
“Entendemos que a produção tinha que sair da pizzaria e ser centralizada na fábrica, porque o volume já não cabia mais na operação inicial”, diz. “Historicamente, a loja sempre representou cerca de 80% do faturamento, mas isso está se invertendo de forma rápida. E nos próximos meses, a tendência é que a fábrica passe a ser pelo menos três vezes maior do que a operação da loja.”
Além da fábrica, a Di Bari Mercato também inaugurou uma segunda loja, localizada no bairro Cidade Jardim. Ainda este ano, a expansão da marca deve seguir com a inauguração em cerca de cinco meses de uma fábrica maior.
Segundo Lee, a marca saiu de um faturamento inicial em torno de R$ 20 mil mensais para uma operação que hoje produz cerca de 60 mil pizzas por mês e projeta fechar o ano com faturamento próximo de R$ 10 milhões.
“Uma parte importante da nossa estratégia de expansão é educar o mercado sobre novas formas de usar o produto, mostrando que a pizza vai muito além do jantar tradicional e pode estar presente em diferentes ocasiões, como em casa, almoço, eventos e negócios que reduzem a necessidade de maquinário”, diz.
