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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
15/07/2026
7 min

'Plano está sendo cumprido', diz cônsul da França sobre investimento de R$ 100 bilhões no Brasil

'Plano está sendo cumprido', diz cônsul da França sobre investimento de R$ 100 bilhões no Brasil

O compromisso de R$ 100 bilhões em investimentos de empresas francesas no Brasil até 2030 segue em andamento, apesar do cenário de incertezas econômicas e da proximidade de eleições tanto no Brasil quanto na França. A avaliação é de Alexandra Mias, cônsul-geral da França em São Paulo, que afirma que o cronograma anunciado em 2025 continua sendo executado conforme o planejamento das companhias.

"Esse anúncio corresponde a investimentos privados, que seguem o tempo de cada empresa, dos conselhos de administração e dos leilões. O plano está sendo cumprido", afirma a diplomata em entrevista exclusiva à EXAME durante a Festa Nacional da França, realizada nesta terça-feira, 14 de julho, data em que é celebrada a Queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa.

O investimento de R$ 100 bilhões foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita oficial à França no ano passado. O compromisso acontecerá na ordem de R$ 20 bilhões por ano ao longo de cinco anos.

Segundo a cônsul, embora não haja novos anúncios neste momento, os projetos continuam avançando, principalmente em segmentos considerados estratégicos para a relação bilateral.

Energia, infraestrutura e logística lideram aportes

Os investimentos franceses estão concentrados em transição energética, logística, infraestrutura e saúde, setores nos quais grupos franceses já possuem forte presença no país.

Entre os principais exemplos está a CMA CGM, gigante francesa do transporte marítimo, que investiu cerca de US$ 2 bilhões em ativos ligados ao Porto de Santos.

“Nesta semana, inclusive, a companhia lançou no Brasil seu primeiro navio movido a combustível renovável, reforçando a estratégia de descarbonização da operação”, diz Mias.

Na infraestrutura urbana, empresas francesas também participam de um dos maiores projetos do país: a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. Segundo Mias, oito empresas da França atuam na obra, entre elas Alstom, Transdev e o fundo Stoa.

Inteligência artificial entra na agenda

Além dos investimentos tradicionais, a França também enxerga oportunidades em inteligência artificial. Para a cônsul, a matriz energética predominantemente renovável do Brasil coloca o país em posição privilegiada para receber investimentos ligados às novas tecnologias.

Segundo ela, Brasil e França compartilham uma visão semelhante sobre o desenvolvimento da IA, baseada em soberania tecnológica e regulação internacional.

"A França e o Brasil estão bem alinhados nesse âmbito", afirma. A parceria também motivou a criação de um diálogo bilateral voltado à transição energética e aos minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria de tecnologia.

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França já investiu US$ 70 bilhões no Brasil

A relação econômica entre os dois países vai muito além do novo plano de investimentos.

Segundo a diplomata, o estoque de investimentos franceses no Brasil já soma cerca de US$ 70 bilhões, distribuídos entre setores como agronegócio, saúde, energia, infraestrutura e logística.

Mais de 1.400 empresas francesas operam atualmente no país, sendo cerca de dois terços delas instaladas no estado de São Paulo.

"O Brasil claramente era, é e será um parceiro incontornável", afirma Mias.

Hoje, a França divide com a Espanha a posição de segundo maior investidor estrangeiro no Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos.

França quer atrair mais empresas brasileiras

Se o fluxo de investimentos franceses no Brasil é consolidado, o movimento inverso ainda é considerado tímido.

De acordo com a cônsul, os investimentos brasileiros na França somam menos de US$ 2 bilhões, o que abre espaço para uma aproximação maior entre os dois mercados.

Ela cita casos como Embraer e BWGI como exemplos de empresas brasileiras que já obtiveram sucesso no país europeu e afirma que a França pretende ampliar essa presença.

"Os investimentos brasileiros estão super bem-vindos na França", diz.

Para incentivar esse movimento, o governo francês prepara um evento voltado exclusivamente para investidores brasileiros, previsto para o segundo semestre de 2027, após as eleições nos dois países - realizadas em outubro de 2026, no Brasil, e em abril de 2027, na França.

Eleições não devem frear investimentos

Mesmo com Brasil e França entrando em ciclos eleitorais em 2027, Alexandra Mias acredita que o ambiente de negócios permanecerá favorável.

Na avaliação da diplomata, fatores como a abundância de energia renovável, recursos minerais, disponibilidade de talentos e afinidade entre os dois países sustentam o interesse das empresas francesas pelo mercado brasileiro.

"A dinâmica econômica muito positiva que estamos vendo vai continuar", afirma.

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Festa Nacional da França celebra parceria entre os dois países

A celebração da Festa Nacional da França, realizada nesta terça-feira, 14, na Pina Contemporânea, em São Paulo. O evento reuniu representantes do governo, do corpo diplomático, empresários e integrantes da comunidade francesa no Brasil para marcar o 14 de julho, data que celebra a Queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa, que relembra os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Em seu discurso de abertura, a cônsul afirmou que a relação entre os dois países está voltada para o futuro e destacou a ampliação da cooperação em áreas estratégicas como defesa, bioeconomia, ciência, cultura e investimentos.

"Seguimos reforçando nosso diálogo político e nossa parceria estratégica, que se concretiza por meio de conquistas que nos enchem de orgulho", disse.

Entre os exemplos citados pela diplomata estão os projetos conjuntos para a Amazônia, a cooperação em minerais críticos, transição energética e pesquisa científica.

Ela destacou ainda que a Universidade de São Paulo (USP) passou a abrigar quatro centros franceses de pesquisa dedicados à saúde, agricultura, transição energética e economia circular. “Isso é inédita no mundo”.

Na área cultural, Mias lembrou que a Temporada França-Brasil promoveu mais de 300 eventos no país, passando por instituições como Museu do Ipiranga, Bienal de São Paulo e Sesc. Durante a cerimônia, ela também anunciou a criação da Associação de Amizade Franco-Brasileira para a Cultura, as Ciências e a Educação, voltada ao fortalecimento da cooperação entre os dois países.

A presença econômica francesa em São Paulo, segundo Mias, segue forte. Só no estado há cerca de 650 empresas francesas. Segundo ela, esses investimentos ajudam a explicar por que a França se consolidou como o segundo maior investidor e o primeiro empregador estrangeiro no Brasil.

"Nossas empresas não apenas investem em São Paulo. Elas geram empregos, transferem tecnologia e contribuem para um futuro mais sustentável", afirmou.

Alexandra Mias, cônsul da França no Brasil: "Talvez o futebol seja tão eficaz quanto a diplomacia” (Leandro Fonseca /Exame)

Futebol: uma paixão que une os dois países

A edição da Festa Nacional da França deste ano também ocorreu em meio à Copa do Mundo. Horas antes do evento, a seleção francesa foi eliminada pela Espanha na semifinal do Mundial por 2x0. Apesar da tristeza de ver o terceiro título ir embora, Mias reforçou que o dia era de celebração e que o futebol é uma das paixões compartilhadas pelos dois países.

"É uma paixão que nos une", diz a cônsul, que afirma que tanto Paris quanto São Paulo se consolidaram como importantes polos de formação de jovens talentos do futebol.

"Entre a França e o Brasil, o futebol é muito mais do que um esporte. É uma história compartilhada e marcada pela admiração mútua”, diz. Mias lembra que jogadores brasileirso como Raí, Ronaldinho e Marquinhos já jogaram em times franceses e afirmou que o esporte tem uma capacidade única de aproximar povos: "Talvez seja tão eficaz quanto a diplomacia”.

Encerrando a cerimônia, a cônsul afirmou que a parceria entre Brasil e França continuará sendo construída em diferentes frentes: da economia à cultura, da ciência ao esporte.

"Este 14 de julho é, portanto, nosso: o da França e o de São Paulo."

AutorLayane Serrano
FonteExame
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