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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
30/06/2026
4 min

Plano Safra 2026/27 chega sob risco de El Niño e com seguro rural encolhido

Plano Safra 2026/27 chega sob risco de El Niño e com seguro rural encolhido

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança nesta terça-feira, 30, o Plano Safra 2026/27 em meio a um cenário desafiador para o agro, com a Selic ainda em dois dígitos (14,25% ao ano), a possibilidade de um El Niño forte e cortes no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o volume de crédito destinado à agricultura empresarial e à agricultura familiar deve ficar pouco acima de R$ 605 bilhões liberados na safra 2025/26.

Parte daslinhas de financiamento deve voltar a operar com juros de um dígito, enquanto outras permanecerão com taxas de dois dígitos. Interlocutores do governo afirmou que o corte nos juros pode chegar a 1,5 ponto percentual em linhas destinadas ao custeio empresarial. A redução dos juros é uma das principais reivindicações do setor.

Com a Selic elevada, o custo do crédito aumenta, inclusive nas modalidades subsidiadas, já que a taxa básica influencia o custo de captação das instituições financeiras e eleva o gasto do governo para equalizar os financiamentos.

Segundo estudo do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), embora os recursos anunciados nos últimos três Planos Safra tenham crescido 24% em termos reais, as contratações de crédito rural seguiram o caminho oposto.

Entre as safras 2023/24 e 2025/26, o valor efetivamente contratado caiu 31,7%, indicando um descompasso entre os recursos disponibilizados pelo governo e o acesso dos produtores ao financiamento.

Além da pressão financeira, os produtores acompanham com preocupação as previsões de um El Niño forte a partir de novembro de 2026. O fenômeno pode coincidir com o plantio da soja em parte do país e elevar os riscos climáticos para a safra 2026/27.

O cenário preocupa mesmo diante da expectativa de uma safra robusta. O Brasil segue como o maior produtor e exportador mundial de soja, com produção estimada em 179 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Apesar do avanço da produção, a rentabilidade do produtor continua pressionada. Segundo projeções da Cogo Consultoria, as margens vêm recuando desde a safra 2021/22 e devem atingir 3,9% na temporada 2026/27, o menor patamar dos últimos 20 anos. Em 2020, esse percentual era de 55,6%.

Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende um Plano Safra de R$ 623 bilhões para 2026/27, além de R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

O seguro rural, aliás, tornou-se um dos principais pontos de atrito entre o setor e o governo. O levantamento da FGV Agro aponta que o PSR deve registrar o menor alcance em duas décadas em razão do bloqueio de recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Os cortes reduziram o orçamento do programa para R$ 474 milhões, menos da metade do quase R$ 1 bilhão inicialmente previsto para subsidiar o pagamento das apólices.

Com menos recursos, a área coberta pelo seguro rural deve cair para 2,8% da área plantada — o equivalente a 2,7 milhões de hectares —, abaixo dos já reduzidos 3,4% registrados em 2025, segundo projeção da FGV Agro. Entre 2021 e 2025, a área protegida pelo PSR encolheu 75%.

A redução dos recursos ocorre justamente em um momento de maior preocupação com a possibilidade de um El Niño forte atingir o país no segundo semestre, elevando o risco de ondas de calor e alterações no regime de chuvas.

Plano Safra 2026/27

O lançamento do Plano Safra 2026/27 voltado à agricultura empresarial será nesta terça-feira, às 10h, no Palácio do Planalto. O presidente Lula não participará da cerimônia porque estará em Assunção, no Paraguai, para a Cúpula do Mercosul. O evento será conduzido pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB).

Já o anúncio do Plano Safra da agricultura familiar está marcado para as 17h — a expectativa é que Lula retorne a Brasília a tempo de participar da cerimônia.

Nos bastidores, a avaliação é que a ausência do presidente no lançamento voltado aos médios e grandes produtores reduz o peso político do anúncio e pode enfraquecer o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), que busca estreitar o diálogo com lideranças do agronegócio e reforçar sua capacidade de articulação junto ao Palácio do Planalto.

Para evitar ruídos antes do anúncio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou o sigilo sobre as medidas do Plano Safra. Segundo fontes ouvidas pela EXAME, a orientação foi evitar vazamentos para preservar o protagonismo de André de Paula na apresentação do programa.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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