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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
30/06/2026
4 min

Plano Safra 2026/27: governo anuncia R$ 525 bilhões e reduz juros

Plano Safra 2026/27: governo anuncia R$ 525 bilhões e reduz juros

O governo federal anunciou nesta terça-feira, 30, R$ 525,1 bilhões para o Plano Safra 2026/27. O montante é R$ 9 bilhões superior ao da temporada anterior. Os detalhes serão divulgados em cerimônia no Palácio do Planalto, a partir das 10h.

Como adiantou a EXAME, o governo também reduziu os juros de algumas linhas de custeio e investimento em até 1,5 ponto percentual. As taxas para médios e grandes produtores variam entre 8% e 12,5% ao ano na temporada que começa nesta quarta-feira, 1º.

Do total de recursos, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, incluindo a aquisição de insumos, a condução das lavouras, a manutenção dos rebanhos e a comercialização da produção.

Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados aos investimentos, como a ampliação da capacidade de armazenagem, a irrigação, a inovação tecnológica, a renovação de máquinas e equipamentos e o aumento da eficiência nas propriedades rurais.

O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) contará com R$ 72,6 bilhões em recursos com juros controlados, ante R$ 69,1 bilhões no ciclo anterior. Os demais produtores terão acesso a R$ 452,5 bilhões, dos quais a maior parte será ofertada com juros livres.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados para a agricultura empresarial, R$ 194 bilhões virão de financiamentos por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs), lastreadas em recursos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e da poupança rural — esses recursos são concedidos a juros livres e passaram a ser contabilizados no Plano Safra pelo governo Lula.

Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) oficializou a inclusão dessas operações no cálculo do Plano Safra. A medida, no entanto, é criticada por entidades do setor, que defendem que apenas as linhas tradicionais de crédito rural sejam consideradas.

Já os recursos com juros equalizados pelo Tesouro Nacional, voltados a médios e grandes produtores, somam R$ 97 bilhões na safra 2026/27, abaixo dos R$ 113,7 bilhões anunciados no início do ciclo anterior.

Apesar da redução do volume de crédito subsidiado, o gasto do governo com a equalização dos juros aumentou 41%, passando de R$ 3,9 bilhões para R$ 5,5 bilhões, refletindo o custo mais elevado de manter financiamentos subsidiados em um ambiente de juros altos.

Juros do Plano Safra

A taxa da linha de custeio para grandes produtores caiu de 14% para 12,5% ao ano. Já os médios produtores enquadrados no Pronamp pagarão 9% ao ano, ante 10% na safra 2025/26.

As linhas do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) e do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) destinadas a grandes unidades, acima de 6 mil toneladas, passaram a ter juros de 9,5% ao ano, redução de 0,5 ponto percentual em relação à safra anterior.

Já o PCA voltado ao financiamento de armazéns de até 6 mil toneladas passou a ter os menores juros da agricultura empresarial, de 8% ao ano, ante 8,5% na safra anterior. Apesar disso, os recursos destinados à armazenagem foram reduzidos em 28%, de R$ 8,2 bilhões para R$ 5,9 bilhões.

As linhas do RenovAgro Ambiental, voltadas à regularização ambiental, recuperação e conversão de áreas degradadas e preservação das propriedades rurais, mantiveram juros de 8,5% ao ano.

O volume do Moderfrota, principal programa para aquisição de máquinas e implementos agrícolas, caiu 54% em relação à safra anterior, de R$ 12,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões.

Em contrapartida, os juros foram reduzidos: grandes produtores pagarão 12,5% ao ano, ante 13,5% na temporada anterior, enquanto os médios produtores terão taxa de 11,5%, frente aos 12,5% praticados no ciclo passado.

As linhas do Inovagro, Proirriga e de investimento empresarial passaram a ter juros de 11,5% ao ano, contra 12,5% na safra 2025/26. Já o Prodecoop e o Procap-Agro, destinados às cooperativas, registraram a maior redução, de 1,5 ponto percentual, passando de 13,5% para 12% ao ano.

Os recursos com juros controlados sem equalização permanecem com condições negociadas livremente entre produtores e instituições financeiras, incluindo taxas de juros, prazos de carência e limites de financiamento.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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