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24/10/2026
3 min

Plataforma preditiva Polymarket dá mais de 80% de chance de Flávio ganhar as eleições

No entanto, algumas pesquisas, como Datafolha e Quaest, mostram empate técnico entre os dois candidatos

Plataforma preditiva Polymarket dá mais de 80% de chance de Flávio ganhar as eleições

A plataforma preditiva Polymarket (que opera em blockchain) traz números bastante discrepantes na eleição presidencial brasileira. Enquanto duas pesquisas eleitorais indicam um empate técnico entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Polymarket aponta 80,2% de chance para o senador do PL, contra apenas 20% do petista. Já a plataforma Kalshi marcava uma proporção um pouco menor: 77,5% a 22,2% às 8h45 deste sábado, 24, véspera das eleições.

A título de comparação, Flávio aparecia numericamente à frente de Lula em quatro das cinco pesquisas nacionais divulgadas nesta sexta-feira, 23. O petista liderava apenas no levantamento da Vox Brasil. Nos votos válidos, que excluem brancos e nulos e definem o resultado da eleição, as diferenças variam de 1,2 ponto percentual a favor de Lula a quatro pontos a favor de Flávio, com a maioria dos resultados dentro da margem de erro.

Já a pesquisa Quaest da última quarta-feira, 21, colocou Flávio com 45% das intenções de voto, ante 44% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado indica empate técnico. A pesquisa Datafolha, divulgada um dia depois, mostrou os dois candidatos empatados com 50% dos votos válidos. Era a primeira vez, desde o primeiro turno, que eles apareciam numericamente empatados.

No Polymarket, o crescimento do filho de Jair Bolsonaro foi quase uma constante no último mês. Lula aparecia na frente na plataforma até 9 de setembro. Porém, no dia 10, houve um cruzamento das probabilidades e Flávio começou a disparar na frente do adversário. Em 9 de outubro, cinco dias depois do primeiro turno, a chance de vitória do senador chegou a ser precificada em 89%, contra só 11% do adversário.

Mercados preditivos são plataformas nas quais os usuários podem colocar dinheiro na hipótese que consideram ser mais provável de acontecer em eventos do mundo real. Segundo as empresas do setor, o modelo é diferente de uma casa de aposta, pois o usuário não está jogando contra a banca. As plataformas dizem que cobram taxas de cada "aposta", mas a disputa é entre os usuários, sem participação delas.

Mercados preditivos são proibidos no Brasil

Apesar disso, os mercados preditivos foram considerados casas de apostas irregulares pelo governo brasileiro em abril deste ano.

"Entende-se que as plataformas de mercados de previsão que ofertam contratos de eventos reais de temáticas esportivas e outras temáticas diversas de econômico financeiras exploram ilicitamente a modalidade lotérica de aposta de quota fixa, sugerindo-se que seu acesso por brasileiros seja bloqueado por esta Secretaria, conforme previsto na Lei nº 14.790/23, em seu art. 17", diz nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Depois da decisão do governo, tanto Kalshi quanto Polymarket foram proibidas no país e só podem ser acessadas mediante o uso de uma rede privada virtual (VPN).

Isso não impediu, no entanto, que contratos sobre as eleições brasileiras continuassem a ser operados nessas plataformas. Além da eleição presidencial, o Polymarket registrou contratos para a eleição de senador em cada estado brasileiro antes do primeiro turno.

*Colaborou Ricardo Bomfim

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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