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Mundo
01/07/2026
3 min

Polêmica lei chinesa de 'unidade étnica' entra em vigor

Polêmica lei chinesa de 'unidade étnica' entra em vigor

Uma nova lei de "unidade étnica" entrou em vigor na China na quarta-feira, 1º, apesar das críticas internacionais, com a preocupação de que promoverá a "assimilação forçada" das minorias no país.

A China reconhece oficialmente 55 minorias étnicas em seu território, cujos dialetos, tradições religiosas, línguas e costumes estão sob risco direto de extinção perante a nova lei, segundo observadores internacionais.

A Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnico busca forjar uma identidade nacional "compartilhada" e traz uma série de medidas para assimilar as minorias à cultura Han, incluindo incentivos para casamentos desses grupos com chineses Han e uma ênfase cada vez maior no ensino do mandarim padrão em escolas desde o jardim de infância, o que gradualmente eliminará, a longo prazo, as diversas línguas tradicionais e dialetos falados por todo o país.

O texto também tipifica como crime a participação em "atividades terroristas violentas, separatismo étnico ou extremismo religioso". A organização Anistia Internacional afirmou que a legislação "pressiona grupos étnicos como os uigures, tibetanos e mongóis a adotarem uma única identidade nacional definida pelo Estado e dominada pela cultura chinesa (da etnia majoritária) han".

A lei, debatida durante o evento das Duas Sessões, o maior acontecimento na política chinesa do ano, exige "alinhamento político e ideológico com o Partido Comunista Chinês" e "institucionaliza ainda mais as políticas de assimilação forçada" de grupos minoritários, declarou na terça-feira, em comunicado, a vice-diretora regional da Anistia, Sarah Brooks.

Analistas consideram que convenções políticas assim do parlamento do Partido Comunista Chinês não existem para debater e questionar, mas meramente para aprovar formalmente medidas já decididas pela cúpula do governo, por trás de portas fechadas, e fornecer vislumbres calculados de seus objetivos ao mundo em eventos altamente coreografados.

Preocupação com os direitos humanos

O alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu a revogação da lei, enquanto representantes tibetanos e uigures declararam na semana passada que a legislação criminaliza suas identidades culturais, religiosas e linguísticas.

“O projeto de lei do governo chinês sobre a promoção da unidade étnica busca mobilizar a burocracia e a sociedade para unir as pessoas sob a liderança do Partido Comunista Chinês, em detrimento dos direitos humanos”, escreve Maya Wang, diretora associada para a Ásia da Human Rights Watch, em artigo publicado pela organização de direitos humanos.

“Tibetanos, uigures e outros que se manifestam em defesa das populações minoritárias podem esperar uma repressão ainda maior por parte do governo.” A lei também estipula punições para qualquer atividade ou ator que seja “contrária à união”.

O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan expressou nesta quarta-feira sua "forte condenação" à lei, que, em sua avaliação, amplia as "ameaças e a intimidação contra o povo do nosso país e de outras nações". "No futuro, indivíduos de qualquer país cujas palavras ou ações sejam consideradas inaceitáveis pela China poderão ser perseguidos com base na lei", acrescentou o ministério taiwanês.

A China considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para tomar a ilha, governada de maneira democrática.

E o país tem um grande histórico de violência contra minorias em seu territórioe inclusive em territórios adjacentes, que considera como parte da China ou como pontos estratégicos vitais para a segurança nacional.

Exemplos são variados: da interferência no Tibete, onde o Partido separou famílias, forçou habitantes a negarem o Dalai Lama reconhecido e buscou implementar um outro líder espiritual com o mesmo título alinhado ao Estado; à destruição sistemática de mesquitas e ao tratamento desumano de uigures em “campos de reeducação”; e às diversas repressões violentas contra insurgências étnicas.

Com informações da AFP

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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