Por que a ação da Skydance veio ladeira abaixo após a fusão com a Warner
Nova gigante de mídia reúne Paramount e Warner Bros., mas estreia na bolsa é marcada por forte pressão

A Skydance uma grande turbulência como uma das maiores empresas de mídia do mundo após suas ações despencarem 22,22% (SKYD) na quarta-feira, 14, em Nova York. Durante o pregão, o papel chegou a cair 28,5%, movimento que apagou US$ 2,19 bilhões em valor de mercado na mínima do dia.
Na manhã desta quinta-feira 15, a pressão continuava, com queda de 0,42% no pré-mercado. A companhia nasceu da megafusão que reuniu Paramount e Warner Bros. Discovery, uma operação de cerca de US$ 110 bilhões concluída em 6 de outubro.
Sob o mesmo teto ficaram alguns dos ativos mais conhecidos da indústria do entretenimento, como Warner Bros., Paramount Pictures, HBO Max, Paramount+, CBS, CNN, HBO, TNT, Nickelodeon e MTV.Todavia, o tombo das ações não pode ser explicado apenas pela fusão. Parte da queda veio da distribuição de warrants, direitos de comprar ações da Skydance por um preço definido.
Ao mesmo tempo, a queda acontece em um mercado que já vinha colocando um grande ponto de interrogação sobre a nova Skydance, principalmente por causa da dívida, dos desafios de integração e das dúvidas sobre quanto os ativos realmente valem.
Parte do tombo tem uma explicação técnica
A queda teve como gatilho imediato a separação dos warrants distribuídos pela companhia. A Skydance entregou 470,7 milhões desses direitos aos acionistas da classe B, enquanto a família Ellison, a RedBird Capital e alguns outros controladores ficaram fora da distribuição.
Cada warrant permite a compra de uma ação classe B por US$ 12 e pode ser exercido por até dez anos.
Na quarta-feira, os papéis passaram a negociar sem o direito ao warrant, ou seja, parte do valor que antes estava embutida na ação passou a existir em um ativo separado. Os warrants eram negociados a US$ 2,39, o equivalente a US$ 1,1 bilhão em valor de mercado.
Com a ação perto de US$ 6,80 durante o pregão, o papel precisaria subir cerca de 77% apenas para alcançar o preço de exercício de US$ 12 dos warrants.
A dívida virou o centro da história
Se a distribuição de warrants explica boa parte do choque de um único pregão, o comportamento dos títulos de dívida mostra que a preocupação do mercado vai além de um ajuste contábil.
Os bonds da Skydance continuaram perdendo valor após a conclusão da compra da Warner Bros. Os títulos de alto rendimento com vencimento em 2036 e cupom de 9,125%, vendidos a 100 centavos por dólar em 30 de setembro, recuaram para cerca de 91 centavos poucos dias depois.
A apresentação da própria companhia apontou dívida líquida de, aproximadamente, US$ 78,9 bilhões e dívida total de US$ 86,8 bilhões. A situação levou analistas consultados pela Variety a descreverem a Skydance como uma companhia que está "andando na corda bamba".
Quanto a Skydance realmente vale
A Warner Bros. Discovery e Paramount somavam pouco mais de US$ 30 bilhões em valor de mercado cerca de um ano e meio antes da combinação.
Já a Morningstar revisou para baixo sua estimativa de valor justo para a Skydance. O cálculo caiu de US$ 15 para US$ 12 por ação depois que os warrants passaram a ser negociados separadamente.
O relatório citado pelo Stocktwits destacou como riscos a dívida elevada, a queda das receitas da televisão tradicional e as dificuldades para executar a integração.
A casa reconhece oportunidades no crescimento do streaming, especialmente por meio de Paramount+ e de uma eventual integração ou combinação comercial com HBO Max, mas o grande problema continua sendo o balanço.
A dívida líquida supera seis vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado. O analista Matthew Dolgin também mostrou ceticismo ao Stocktwits sobre a capacidade da companhia de entregar a meta de US$ 6 bilhões em reduções anuais de custos.
Wall Street ainda não decidiu como precificar a nova gigante
Dados reunidos pela Simply Wall St. mostram recomendações que vão de preço-alvo para as ações de US$ 8 no Barclays e no TD Cowen até US$ 14 no Citizens. Morgan Stanley elevou seu alvo para US$ 11,50, enquanto a StoneX reduziu sua estimativa de US$ 16 para US$ 11.
A estimativa de margem líquida caiu de 3,97% para 1,77%, enquanto o múltiplo futuro de preço sobre lucro utilizado no modelo também foi reduzido.
Na Barchart, o consenso entre 22 analistas era de "manter" os papéis. Apenas três tinham recomendação positiva, enquanto sete recomendavam algum grau de venda. O preço-alvo médio aparecia em US$ 10,53.
