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Sacre Investimentos
MundoCMDT
25/07/2026
3 min

Por que a China cancelou suas exportações de petróleo em meio à crise de Hormuz?

Por que a China cancelou suas exportações de petróleo em meio à crise de Hormuz?

A guerra envolvendo o Irã levou a China a adotar uma série de medidas para reforçar sua segurança energética e reduzir os riscos de desabastecimento. Ao mesmo tempo, o governo manteve sua estratégia de expansão das energias renováveis e promoveu mudanças em sua legislação ambiental, aponta um estudo do think tank Council on Foreign Relations (CFR).

Após o início da guerra, o governo chinês orientou suas principais refinarias a suspenderem as exportações de diesel e gasolina. Além disso, exportadores receberam instruções para renegociar contratos e adiar embarques de combustíveis ainda não liberados pela alfândega.

Segundo o estudo, a estratégia busca fortalecer a segurança energética diante da possibilidade de interrupções no fornecimento internacional. Atualmente, cerca de metade do petróleo consumido pela China ainda vem do Golfo Pérsico, e aproximadamente um terço desse volume passa pelo Estreito de Ormuz.

Pequim também reduziu o reajuste previsto nos preços domésticos dos combustíveis, para tentar amenizar os impactos sobre consumidores e empresas. Ainda assim, o aumento representou a quinta alta do ano e elevou os preços internos do petróleo em quase 20%.

Estratégia energética

O levantamento do CFR mostra que a China aproveitou a queda dos preços internacionais do petróleo em 2025 para ampliar suas reservas de energia. A formação desses estoques foi tratada pelo presidente Xi Jinping como uma prioridade de segurança nacional.

Como o governo chinês não divulga oficialmente o tamanho de suas reservas, especialistas utilizam dados de comércio exterior, imagens de satélite e informações orçamentárias para estimar os volumes armazenados. As estimativas do CFR indicam que o país possui estoques suficientes para cerca de 104 dias de consumo de petróleo bruto.

Paralelamente, o atual plano quinquenal manteve os investimentos em fontes renováveis de energia, embora tenha frustrado as expectativas quanto às metas climáticas mais rigorosas. O documento prevê uma redução de 17% na intensidade de carbono da economia, mas não estabelece um limite absoluto para as emissões de gases de efeito estufa.

Energia limpa

Apesar de não alcançar todas as metas climáticas, o plano reafirma a intenção de construir um sistema energético "limpo, de baixo carbono, seguro e eficiente". Somente em 2025, a China informou ter instalado cerca de 430 gigawatts de capacidade de energia solar e eólica, elevando o total para aproximadamente 1.800 gigawatts.

O estudo ressalta que o país precisará praticamente dobrar sua capacidade de geração de energia renovável para cumprir seus compromissos internacionais relacionados ao clima. Ainda assim, os investimentos consolidam a liderança chinesa na cadeia global de tecnologias para energia limpa.

Outra iniciativa destacada foi a aprovação do novo Código Ecológico e Ambiental pelo Congresso Nacional do Povo. A legislação reúne normas ambientais dispersas, cria um capítulo específico sobre mudanças climáticas, fortalece o planejamento para adaptação a eventos extremos e amplia a integração das metas climáticas às políticas nacionais. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o texto restringe a atuação de organizações não governamentais em ações judiciais de interesse ambiental, o que pode reduzir a eficácia da fiscalização das novas regras.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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