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Sacre Investimentos
Mundo
01/06/2026
3 min

Por que a direita tradicional naufragou em eleição na Colômbia

Por que a direita tradicional naufragou em eleição na Colômbia

Em abril, havia dúvidas na Colômbia sobre qual candidato de direita iria para o segundo turno contra Iván Cepeda. As pesquisas mostravam o advogado Abelardo de la Espriella e a senadora Paloma Valencia próximos, na faixa de 20% dos votos. No entanto, na reta final, a candidatura de Valencia derreteu, e ela fechou o 1º turno, em 31 de maio, com 6% dos votos.

Mesmo antes do resultado, analistas apontavam uma série de erros e fragilidades. O principal deles foi não conseguir se posicionar de forma adequada e tentar agradar vários públicos ao mesmo tempo.

"Paloma nunca encontrou a forma. Nunca definiu se era direita ou centro, se era herdeira ou renovação, se queria ser presidente ou presidenta", diz Rubén Erazo, analista e presidente da Associação Colombiana de Consultores Políticos (Acopol).

"Ela tentou ser direita dura e centro amável ao mesmo tempo. Ser firme sem assustar", prossegue.

Assim, ela perdeu os eleitores de direita mais atraídos pelas emoções, como o medo da violência, sem ganhar os de centro. Neste processo, acabou também acendendo um alerta em seus eleitores de que não seria capaz de derrotar Cepeda, o candidato do governo. Com isso, Abelardo de la Espriella, que tem discurso mais duro, ganhou força na reta final, e chegou em primeiro.

Questões de gênero

Analistas apontam também que a Colômbia nunca teve uma presidente mulher, e que a visão de mundo de muitos colombianos, especialmente em áreas do interior, é a de preferir um homem na Presidência, como mostram pesquisas feitas com grupos focais nessas regiões.

Além disso, Valencia escolheu como vice o economista Juan Daniel Oviedo, que é abertamente gay. Essa combinação também pode ter afastado o eleitorado mais conservador. Espriella destacou na campanha ser casado e pai de quatro filhos.

Endosso a Espriella

Logo após a divulgação dos resultados, Valencia endossou a candidatura de Espriella, assim como o ex-presidente Álvaro Uribe, considerado o principal líder da direita tradicional na Colômbia.

Assim, não está claro qual poderá ser o papel de Uribe e Valencia em um eventual governo de Espriella. O Centro Democrático, partido dos dois, é a segunda maior força na Câmara dos Deputados, com 28 assentos, atrás do Pacto Histórico, de Cepeda, com 40.

O Defensores de la Patria, partido que Espriella criou em 2025, não elegeu deputados este ano, mas conquistou quatro assentos no Senado. Assim, em caso de vitória, a direita tradicional poderá ser importante para a aprovação de projetos no Congresso.

AutorRafael Balago
FonteExame
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