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Sacre Investimentos
Economia
03/07/2026
4 min

Por que a primeira célula artificial criada em laboratório é um marco na história da ciência

Por que a primeira célula artificial criada em laboratório é um marco na história da ciência
Kate Adamala/Adamala Lab

Cientistas dos Estados Unidos afirmam ter, pela primeira vez na história, construído do zero uma célula que consegue se alimentar, crescer e se replicar tal qual uma célula natural.

Produzida por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Minnesota, a SpudCell representa um grande avanço na biologia sintética.

Isso porque esse passo pode dar início a uma era de organismos produzidos sob medida e capazes de funcionar como máquina vivas.

Como a célula artificial foi construída?

A bióloga e professora responsável pela equipe, Kate Adamala, relatou à emissora norte-americana CNN que a célula foi construída apenas por componentes químicos não vivos.

Para fazer a célula, foi construída uma esfera microscópica com uma membrana cujo material é o mesmo tipo o de gordura presente nas células do corpo humano.

Dentro dela há um genoma sintético com as instruções genéticas da célula. Além disso existe um sistema de proteínas responsável por interpretar as informações.

O protótipo ainda é limitado e frágil. Apesar disso, ele ainda pode ajudar cientistas a compreender as origens da vida e, quem sabe, auxiliar os alguns dos problemas biológicos do mundo.

O organismo não é nem vegetal nem animal. Mesmo sem ser específica, ela se assemelha mais a uma bactéria simples.

A SpudCell é composta por cerca de 150 a 200 moléculas e consegue se alimentar, crescer e se replicar por aproximadamente cinco gerações, de acordo com Adamala.

A imagem, obtida por meio de técnicas de fluorescência, mostra a SpudCell em processo de divisão (Kate Adamala/Adamala Lab)

Cada geração precisa ser alimentada e leva cerca de 12 horas para se replicar a uma temperatura de 30 °C.

Porém, ela não tem a mesma complexidade de uma célula biológica, que tem milhões ou até bilhões de moléculas.

Apesar disso, ela é totalmente definida, ou seja, ela pode ser produzida novamente do mesmo jeito ou com alterações.

Um avanço histórico para a biologia sintética

Há muito tempo, cientistas usam a bioengenharia (sim, essa engenharia existe) para modificar células naturais com objetivo de solucionar problemas humanos.

A ideia defendida por pesquisadores é que as células sintéticas podem levar não só ao desenvolvimento de novos tratamentos contra doenças como o câncer, mas também de criar meios de capturar carbono ou fabricar substâncias químicas.

A humanidade tem diversas conquistas históricas, desde levar um home à Lua até criar a inteligência artificial.

Contudo, os cientistas ainda não têm uma resposta “básica”: como cada tipo celular funciona por completo e tudo o que elas contêm.

Inclusive, Adamala apelidou sua criação de SpudCell pois o nome faz referência ao Sputnik. A inspiração não tem um fundo poético, é apenas uma brincadeira, porque ela não queria que a célula recebesse seu próprio nome.

“Esperamos estar realmente dando início à verdadeira era da bioeconomia, desenvolvendo uma tecnologia que permitirá às pessoas projetar a biologia”, afirmou.

Ser ou não ser, eis a questão da SpudCell

O professor de tecnologias bioquímicas no Imperial College London Yuval Elani, que não participou da pesquisa, disse que a célula sintética não representa “vida criada em laboratório”, mas sim “um verdadeiro marco no caminho rumo a essa questão”.

“Construir uma célula do zero significa que você deixa de estar preso às limitações e à bagagem evolutiva da biologia natural. Isso abre a possibilidade de projetar sistemas e programá-los para fazer coisas que células vivas talvez não consigam fazer facilmente — ou sequer consigam fazer”, afirmou Elani à CNN.

Porém, ele ainda desataca que, em sua visão, a criação é um avanço real para responder se a química pode ser organizada de forma tão convincente que passemos a chamá-la de vida.

A célula tem, de fato, diversas limitações. Apesar disso, Adamala enxerga a etapa apenas como o começo:

“Ela é um chassi sobre o qual esperamos construir, e isso é significativo, porque agora realmente temos uma ideia razoável de como avançar.”

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

AutorMaisa Leme
FonteMoney Times
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