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Sacre Investimentos
Exame INACS
26/10/2026
3 min

Por que a Suzano resiste à ressaca eleitoral que derruba os ADRs brasileiros nos EUA

Com receitas dolarizadas e forte presença internacional, fabricante de celulose limita perdas em Nova York enquanto bancos, petroleiras e fintechs brasileiros registram quedas de dois dígitos

Por que a Suzano resiste à ressaca eleitoral que derruba os ADRs brasileiros nos EUA
RESUMO +

As ações da Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, recuavam 1,97% nos Estados Unidos às 9h30 desta segunda-feira, 26, após chegarem a subir 2,89% depois da eleição presidencial. A queda ficou abaixo das perdas de outros ativos brasileiros, em parte porque a Suzano recebe a maior parcela da receita em dólares e mantém custos relevantes em reais.

A Suzano foi uma das poucas empresas brasileiras a escapar da onda de vendas que atingiu as ações do país nos Estados Unidos na manhã desta segunda-feira, 26, após a eleição presidencial.

Enquanto bancos, petroleiras e fintechs registravam perdas de dois dígitos no pré-market americano, os ADRs da maior produtora mundial de celulose de eucalipto chegaram a subir 2,89%, a US$ 8,89. Os ganhos, porém, não se sustentaram. Às 9h30, os papéis recuavam cerca de 0,46%.

Ainda assim, a queda era bem menor que a dos principais ativos brasileiros negociados nos Estados Unidos. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras listado em Nova York, recuava 27,33%. O Itaú perdia 27,61% e a Petrobras, 19,61%.

Árvore resistente

A diferença está, em parte, no dólar. A Suzano vende a maior parte da produção no exterior e recebe em moeda americana, enquanto uma parcela importante dos custos permanece em reais. Com a desvalorização da moeda brasileira, essa combinação pode favorecer as margens da companhia.

No segundo trimestre, 80% da receita de R$ 11,6 bilhões veio do mercado externo. A companhia vendeu 2,9 milhões de toneladas de celulose entre abril e junho, com preço médio de US$ 601 por tonelada nas exportações, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

O negócio também depende menos do desempenho da economia brasileira. Os preços internacionais da celulose e a demanda de mercados como a China têm mais influência sobre os resultados do que o consumo doméstico. O mercado global, porém, não atravessa seu melhor momento. A demanda mundial de celulose recuou 3,9% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da consultoria Pulp and Paper Products Council (PPPC).

A Suzano também vem ampliando sua presença internacional para além da celulose. Em julho, concluiu a aquisição de 51% da Arbex, operação global de papéis sanitários formada em parceria com a americana Kimberly-Clark, por US$ 1,3 bilhão. O negócio reúne 22 fábricas em 14 mercados e amplia a presença da companhia em produtos de consumo, menos dependentes das oscilações do preço da celulose.

Isso não deixa a Suzano imune à turbulência. A companhia também tem dívidas em dólar, e a oscilação do câmbio afeta seu balanço. No segundo trimestre, o Ebitda ajustado caiu 23%, para R$ 4,7 bilhões, enquanto o lucro líquido recuou 64%, para R$ 1,8 bilhão.

AutorPedro Gil
FonteExame
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