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InvestMercadosACS
27/07/2026
5 min

Por que a Vivo lucrou 17% a mais no 2º tri - e mesmo assim seu caixa livre encolheu?

Pagamentos de impostos e menor contribuição do capital de giro pressionaram o caixa livre

Por que a Vivo lucrou 17% a mais no 2º tri - e mesmo assim seu caixa livre encolheu?

A Vivo encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,57 bilhão, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. A margem líquida ficou em aproximadamente 10%, ante 9,2% no segundo trimestre de 2025. No acumulado do primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 2,83 bilhões, avanço de 17,9%.

O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 6,58 bilhões entre abril e junho, crescimento de 10,9% na comparação anual. A margem Ebitda subiu 1,3 ponto percentual, de 40,5% para 41,8%.

Já o Ebitda após arrendamentos avançou 11,6%, para R$ 5,14 bilhões, com margem de 32,6%, alta de 1,2 ponto percentual.

Receita cresce com pós-pago, fibra e venda de aparelhos

A receita líquida da companhia atingiu R$ 15,76 bilhões, aumento de 7,6% em um ano. O crescimento foi sustentado principalmente pelos serviços móveis, pela fibra óptica e pelas soluções digitais oferecidas a empresas.

A receita de serviços móveis cresceu 6,6%, para R$ 10,18 bilhões. Dentro desse segmento, o pós-pago avançou 7,9%, enquanto o pré-pago recuou 1,3%. A base pós-paga chegou a 73,2 milhões de acessos, alta de 6,9%.

A expansão do pós-pago faz parte de um movimento antigo do setor, que busca migrar consumidores do pré-pago para planos de maior valor e recorrência.

As vendas de aparelhos e eletrônicos tiveram alta de 27,8%, para R$ 1,05 bilhão. Os smartphones compatíveis com 5G representaram 98,8% das unidades vendidas pela operadora no período.

No negócio fixo, a receita aumentou 6%, para R$ 4,53 bilhões. A receita com fibra óptica até a casa do cliente, ou FTTH, cresceu 10,7%, para R$ 2,15 bilhões. A empresa encerrou o trimestre com 8,2 milhões de casas conectadas à fibra, aumento de 11,3%.

As receitas de dados corporativos, tecnologia da informação e serviços digitais cresceram 7,8%, para R$ 1,47 bilhão. Em sentido contrário, as demais receitas fixas, que incluem serviços de voz e tecnologias legadas, caíram 5,8%.

Cancelamento de clientes diminui

Os indicadores de churn, que medem a taxa de cancelamento de clientes, apresentaram melhora no trimestre.

No pós-pago, excluídas as conexões entre máquinas e os dongles, o churn mensal caiu de 1,1% para 1%. Na fibra, a taxa passou de 1,5% para 1,4%.

O churn total do negócio móvel recuou de 2,2% para 1,8%. No pré-pago, a queda foi mais acentuada, de 3,8% para 2,9%. A redução indica maior retenção dos consumidores, embora a base pré-paga tenha diminuído 6,1% em um ano.

Custos avançam abaixo da receita

Os custos totais da Vivo cresceram 5,3%, para R$ 9,18 bilhões, ritmo inferior ao aumento da receita. Essa diferença ajudou a companhia a ampliar sua margem operacional.

Os custos dos serviços e produtos vendidos subiram 10,2%, para R$ 2,94 bilhões. O avanço foi influenciado pela expansão dos serviços digitais e pelas vendas de aparelhos. Somente os custos dos produtos vendidos cresceram 18,6%.

Os custos da operação tiveram aumento de 3,2%, para R$ 6,23 bilhões. As despesas com pessoal cresceram 3,2%, enquanto os gastos comerciais e de infraestrutura aumentaram 5,7%.

As despesas gerais e administrativas avançaram 12,3%, pressionadas principalmente por maiores gastos com serviços de nuvem, sistemas e softwares. A provisão para clientes inadimplentes ficou praticamente estável, com alta de 0,5%, e perdeu participação sobre a receita.

O resultado operacional também foi beneficiado por R$ 202 milhões em ganhos com a venda de ativos ligados à antiga concessão de telefonia fixa, integralmente associados à comercialização de cobre.

Investimentos somam R$ 2,59 bilhões

Os investimentos, desconsiderando os efeitos contábeis dos arrendamentos e das licenças, somaram R$ 2,59 bilhões, alta de 6,1% em relação ao segundo trimestre de 2025.

O capex representou 16,4% da receita líquida, ante 16,7% um ano antes. Mais de 75% dos recursos foram destinados às redes móvel e fixa, incluindo a expansão do 5G, da fibra e da capacidade da infraestrutura.

A Vivo encerrou junho com cobertura 5G em 978 municípios, alcançando 73% da população brasileira. A rede de fibra estava disponível para 32 milhões de domicílios passados.

Vivo termina o trimestre com caixa líquido

A dívida bruta financeira da companhia, sem considerar os arrendamentos, somava R$ 4,93 bilhões no fim de junho, queda de 14,4% em 12 meses.

Como a empresa possuía R$ 8,76 bilhões em caixa e equivalentes, aplicações financeiras e contas a receber do FIDC Vivo Money considerados nessa conta, além de derivativos, a Vivo encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 3,79 bilhões, excluídos os arrendamentos.

Ao incluir os compromissos de arrendamento contabilizados segundo o IFRS 16, a dívida líquida chegava a R$ 11 bilhões, abaixo dos R$ 13,11 bilhões registrados no encerramento de 2025.

A companhia não apresentou no relatório uma razão formal de alavancagem, como dívida líquida sobre Ebitda. Pela métrica sem arrendamentos, porém, a empresa possuía mais caixa do que dívida financeira.

Fluxo operacional sobe, mas caixa livre recua

O fluxo de caixa operacional, definido pela companhia como o Ebitda menos os investimentos, avançou 14,3%, para R$ 3,99 bilhões. A margem do indicador subiu de 23,9% para 25,3%.

Já o fluxo de caixa livre caiu 10,7%, de R$ 2,98 bilhões para R$ 2,66 bilhões. A redução ocorreu apesar do crescimento do resultado operacional.

A geração de caixa foi pressionada por pagamentos maiores de impostos e por uma contribuição menor do capital de giro. Os desembolsos com tributos aumentaram 44,4%, enquanto a contribuição do capital de giro caiu de R$ 862 milhões para R$ 203 milhões.

A base de comparação também foi desfavorável, pois o segundo trimestre de 2025 havia sido beneficiado por efeitos não recorrentes, entre eles um volume maior de recebimentos de clientes.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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