Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
04/11/2026
4 min

Por que a WEG decidiu comprar um terreno na Índia por R$ 44 milhões

Gigante de Santa Catarina compra terreno de 400 mil metros quadrados na cidade de Dharmapuri, no estado de Tamil Nadu.

Por que a WEG decidiu comprar um terreno na Índia por R$ 44 milhões

Um terreno de 400 mil metros quadrados no sul da Índia é o novo passo da WEG (WEGE3) para ampliar a produção fora do Brasil. A fabricante de motores e equipamentos elétricos de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, informou nesta quarta-feira, 4, que pagou US$ 8 milhões, cerca de R$ 44 milhões, pela área na cidade de Dharmapuri, no estado de Tamil Nadu.

O terreno fica a 95 quilômetros do parque fabril de Hosur, onde está a operação indiana da empresa. Segundo comunicado ao mercado, a compra faz parte da estratégia de longo prazo de aumentar gradualmente a capacidade produtiva no país.

A companhia afirma que a localização deve facilitar a integração e a verticalização dos processos produtivos, ou seja, trazer para dentro de casa etapas da cadeia que hoje dependem de terceiros. O comunicado não detalha o que será construído na área nem o cronograma das obras.

A WEG produz na Índia desde 2011 e tem hoje cinco unidades no país. As fábricas fazem motores elétricos, geradores, reguladores de tensão, sistemas de excitação e inversores de frequência para diferentes aplicações industriais.

Com a nova área, a empresa passa a somar mais de 625 mil metros quadrados no país, onde emprega cerca de 2 mil pessoas.

O terreno se soma a outro movimento recente na Índia. Em dezembro de 2025, a WEG anunciou a compra da Sanelec, especializada em sistemas de excitação para geração de energia, por US$ 5,2 milhões. A empresa era parceira exclusiva no país da Reivax, controlada pelo grupo catarinense.

A região também vem ganhando peso no faturamento. No terceiro trimestre de 2026, a receita da WEG na Ásia-Pacífico cresceu 19,6% na comparação anual.

O exterior já paga a maior parte da conta

A expansão indiana acompanha uma mudança no perfil da companhia. Entre julho e setembro, o mercado externo respondeu por 62,5% da receita, o maior peso já registrado na história da WEG.

A receita líquida total somou R$ 10,86 bilhões no trimestre, alta de 5,7% sobre o mesmo período de 2025. As vendas fora do Brasil chegaram a R$ 6,79 bilhões, avanço de 8,3%. Em dólar, foram US$ 1,32 bilhão, crescimento de 14,8%.

O principal motor foi a América do Norte, que faturou US$ 722,8 milhões, 31,1% a mais que um ano antes, e já representa 54,7% das vendas externas. A empresa atribui o resultado a transformadores usados no reforço da rede elétrica americana e aos geradores da Marathon, sua controlada nos Estados Unidos, que fornecem energia de reserva para data centers.

Entre as áreas de negócio, a de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD), que reúne geradores, transformadores e subestações, foi a que mais acelerou. A receita do segmento subiu 13,8%, para R$ 4,19 bilhões.

Margem menor e investimento maior

O crescimento das vendas não chegou inteiro à última linha do balanço. O lucro líquido somou R$ 1,67 bilhão no trimestre, alta de 0,9%, abaixo dos R$ 1,71 bilhão esperados pelo mercado, segundo consenso compilado pela LSEG.

O real mais forte reduziu o valor das vendas externas na conversão: o dólar médio do trimestre caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14. Nos custos, pesaram a alta do cobre, as tarifas de importação nos Estados Unidos e as despesas com pessoal ligadas à expansão das fábricas. A margem Ebitda recuou de 22,2% para 21,6%.

Ao mesmo tempo, a WEG acelerou os investimentos. O capex, gasto com fábricas e equipamentos, chegou a R$ 905,4 milhões no trimestre, 34,6% acima de um ano antes. Do total, 60,2% foi para unidades no exterior, com destaque para fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos e paramotores de alta tensão na China.

No Brasil, o ritmo é mais lento. A receita no mercado interno subiu 1,8% no trimestre, para R$ 4,07 bilhões, mas acumula queda de 7,9% nos nove primeiros meses do ano, com clientes industriais adiando investimentos maiores.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
Distribuído por