Por que a WEG decidiu comprar um terreno na Índia por R$ 44 milhões
Gigante de Santa Catarina compra terreno de 400 mil metros quadrados na cidade de Dharmapuri, no estado de Tamil Nadu.

Um terreno de 400 mil metros quadrados no sul da Índia é o novo passo da WEG (WEGE3) para ampliar a produção fora do Brasil. A fabricante de motores e equipamentos elétricos de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, informou nesta quarta-feira, 4, que pagou US$ 8 milhões, cerca de R$ 44 milhões, pela área na cidade de Dharmapuri, no estado de Tamil Nadu.
O terreno fica a 95 quilômetros do parque fabril de Hosur, onde está a operação indiana da empresa. Segundo comunicado ao mercado, a compra faz parte da estratégia de longo prazo de aumentar gradualmente a capacidade produtiva no país.
A companhia afirma que a localização deve facilitar a integração e a verticalização dos processos produtivos, ou seja, trazer para dentro de casa etapas da cadeia que hoje dependem de terceiros. O comunicado não detalha o que será construído na área nem o cronograma das obras.
A WEG produz na Índia desde 2011 e tem hoje cinco unidades no país. As fábricas fazem motores elétricos, geradores, reguladores de tensão, sistemas de excitação e inversores de frequência para diferentes aplicações industriais.
Com a nova área, a empresa passa a somar mais de 625 mil metros quadrados no país, onde emprega cerca de 2 mil pessoas.
O terreno se soma a outro movimento recente na Índia. Em dezembro de 2025, a WEG anunciou a compra da Sanelec, especializada em sistemas de excitação para geração de energia, por US$ 5,2 milhões. A empresa era parceira exclusiva no país da Reivax, controlada pelo grupo catarinense.
A região também vem ganhando peso no faturamento. No terceiro trimestre de 2026, a receita da WEG na Ásia-Pacífico cresceu 19,6% na comparação anual.
O exterior já paga a maior parte da conta
A expansão indiana acompanha uma mudança no perfil da companhia. Entre julho e setembro, o mercado externo respondeu por 62,5% da receita, o maior peso já registrado na história da WEG.
A receita líquida total somou R$ 10,86 bilhões no trimestre, alta de 5,7% sobre o mesmo período de 2025. As vendas fora do Brasil chegaram a R$ 6,79 bilhões, avanço de 8,3%. Em dólar, foram US$ 1,32 bilhão, crescimento de 14,8%.
O principal motor foi a América do Norte, que faturou US$ 722,8 milhões, 31,1% a mais que um ano antes, e já representa 54,7% das vendas externas. A empresa atribui o resultado a transformadores usados no reforço da rede elétrica americana e aos geradores da Marathon, sua controlada nos Estados Unidos, que fornecem energia de reserva para data centers.
Entre as áreas de negócio, a de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD), que reúne geradores, transformadores e subestações, foi a que mais acelerou. A receita do segmento subiu 13,8%, para R$ 4,19 bilhões.
Margem menor e investimento maior
O crescimento das vendas não chegou inteiro à última linha do balanço. O lucro líquido somou R$ 1,67 bilhão no trimestre, alta de 0,9%, abaixo dos R$ 1,71 bilhão esperados pelo mercado, segundo consenso compilado pela LSEG.
O real mais forte reduziu o valor das vendas externas na conversão: o dólar médio do trimestre caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14. Nos custos, pesaram a alta do cobre, as tarifas de importação nos Estados Unidos e as despesas com pessoal ligadas à expansão das fábricas. A margem Ebitda recuou de 22,2% para 21,6%.
Ao mesmo tempo, a WEG acelerou os investimentos. O capex, gasto com fábricas e equipamentos, chegou a R$ 905,4 milhões no trimestre, 34,6% acima de um ano antes. Do total, 60,2% foi para unidades no exterior, com destaque para fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos e paramotores de alta tensão na China.
No Brasil, o ritmo é mais lento. A receita no mercado interno subiu 1,8% no trimestre, para R$ 4,07 bilhões, mas acumula queda de 7,9% nos nove primeiros meses do ano, com clientes industriais adiando investimentos maiores.
