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InvestMercados
07/07/2026
4 min

Por que aéreas não baixam preços mesmo com combustível mais barato

Por que aéreas não baixam preços mesmo com combustível mais barato

Mesmo com o preço do combustível de aviação caindo 40% desde o pico registrado em abril, as companhias aéreas não dão sinais de que pretendem repassar o alívio nos preços aos passageiros nos Estados Unidos, de acordo com informações divulgadas pelo Wall Street Journal (WSJ).

Executivos do setor apostam que a demanda por viagens continua forte o suficiente para sustentar tarifas elevadas. Ao mesmo tempo, a oferta limitada de assentos, agravada pela saída da Spirit Airlines do mercado, ajuda a preservar a rentabilidade das empresas sem a necessidade de reduzir preços.

Houve disparada dos custos após o início da guerra no Irã. Nas semanas seguintes ao conflito, o preço do combustível de aviação praticamente dobrou, levando as companhias a reajustarem tarifas oito vezes desde então, segundo analistas do Deutsche Bank.

Em maio, o preço médio de uma passagem doméstica de ida e volta vendida por agências de viagem também chegou a US$ 628, quase US$ 100 acima do registrado um ano antes, de acordo com dados da Airlines Reporting Corp., que monitora as vendas do setor.

Executivos apostam em manter ganhos

O CEO da Southwest Airlines, Bob Jordan, afirmou, em uma conferência com investidores no fim de maio, que está otimista de que o setor conseguirá manter uma parcela maior dos aumentos de tarifas do que costuma ocorrer historicamente. Parte disso vem justamente da saída da Spirit.

"Obviamente, ninguém gosta de ver uma empresa encerrar as atividades, mas, com a Spirit fora do mercado, acho que isso ajuda o cenário do setor", disse em fala repercutida pelo WSJ. A Spirit encerrou as operações em maio, depois que a alta dos preços de combustível agravou a sua situação financeira.

O CEO da American Airlines, Robert Isom, também acrescentou que a empresa disputava passageiros diretamente com a Spirit em praticamente todas as rotas e que a saída da concorrente trouxe uma melhora perceptível nos resultados dos trechos onde havia maior sobreposição.

Demanda resiste mais do que o esperado

Apesar do aumento nos preços das passagens, a demanda por viagens não perdeu força no ritmo esperado por alguns executivos. "Eu esperava um efeito de elasticidade maior", relatou, em maio, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, ao comentar a reação esperada dos consumidores quando os preços sobem.

"Mas o cenário de demanda está bastante forte", complementou Kirby. Além disso, a oferta de assentos ficou mais restrita no período. As companhias reduziram voos que deixaram de ser rentáveis diante dos custos maiores de combustível.

Antes do início da guerra no Irã, as aéreas dos EUA planejavam ampliar a oferta doméstica em 4,6% no terceiro trimestre, na comparação com igual período de 2025, conforme a Airlines for America. Agora, esse plano de expansão está praticamente congelado.

O movimento foge do padrão histórico do setor. Em ciclos anteriores de queda no preço do combustível, as companhias costumavam acelerar a expansão de rotas para capturar mais receita. Desta vez, as aéreas de baixo custo estão mais focadas em reduzir prejuízos do que em crescer.

Lucro do trimestre ainda deve sentir impacto

As ações do setor refletem um cenário mais positivo. Delta Air Lines, a companhia mais lucrativa do segmento, e United Airlines atingiram máximas históricas no fim de junho, enquanto os papéis da American Airlines acumulam alta superior a 30% no último mês.

Apesar da melhora, o período de combustível mais caro ainda deve pesar sobre os resultados das companhias neste ano. As companhias começam a divulgar os balanços do segundo trimestre nas próximas semanas, com a Delta abrindo a temporada na sexta-feira, 10.

Ainda assim, há sinais de que a tolerância dos passageiros a preços mais altos pode estar diminuindo. Uma pesquisa da consultoria Future Partners mostra que a percepção dos consumidores sobre gastos com viagens mudou, com mais estadunidenses afirmando que este não é um bom momento para as férias.

Embora poucos tenham desistido das viagens de verão mesmo diante das tarifas mais altas, esse comportamento pode mudar a partir do outono no hemisfério Norte caso a demanda perca força ou a oferta de voos volte a crescer, avaliou o analista da Melius Research, Conor Cunningham.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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