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Sacre Investimentos
InvestMercados
11/08/2026
4 min

Por que as ações da Natura sobem mesmo com queda na receita?

Mercados hispânicos ajudam a dar o tom positivo dos papéis que lideram alta no Ibovespa; recuperação da receita no Brasil deve ser gradual

Por que as ações da Natura sobem mesmo com queda na receita?

Um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, as ações da Natura (NATU3) lideram as altas do Ibovespa nesta terça-feira, 11. Por volta das 16h, os papéis da companhia subiam quase 3%, uma das únicas quatro altas do dia, enquanto o principal índice acionário da B3 recuava 2,59%. O que parece agradar o mercado, no entanto, não são os resultados em si, mas sim a previsibilidade que a própria companhia havia reportado anteriormente em sua prévia operacional, além do impulso da região Hispânica.

No relatório “Não é bonito, mas já era esperado”, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) relata que parte dos números vieram acima da expectativa do banco e do próprio mercado, o que colabora para o tom positivo dos papéiS.

A receita no Brasil apresentou queda de 14,8% na comparação anual, 2% abaixo da estimativa do BTG.

“O indicador foi afetado por um cenário macroeconômico desafiador, indisponibilidade de produtos (em decorrência de uma integração de sistemas) e um descasamento tributário temporário (2 pontos percentuais do crescimento da receita)”, diz.

Por outro lado, a companhia apresentou uma recuperação melhor que a esperada na unidade Hispana, com crescimento da receita de 0,7% na comparação anual (5,6% acima da estimativa), ou 7% em termos ajustados pelo câmbio, após quatro trimestres de forte contração da receita, levando a melhorias sequenciais da margem.

O Itaú BBA concorda. De acordo com o banco, o grande destaque foram os mercados hispânicos. Para ele, entre os principais pontos positivos está a maior rentabilidade na América Latina Hispânica, particularmente no México, amplamente sustentada por uma forte queda nas despesas gerais e administrativas (G&A), de 15% na comparação anual. “Isso parece ser estrutural”, aponta no relatório “Brasil pior, Hispano melhor”.

No consolidado, a receita totalizou R$ 5,2 bilhões (-10% na comparação anual; em linha com o BTG), enquanto o Ebitda contábil atingiu R$ 620 milhões (2% acima da estimativa do banco; -6% na comparação anual), resultando em uma margem de 12% (estável na comparação trimestral; +40 pontos-base na comparação anual; em linha com a projeção do BTG).

Como cada região se comportou

A Natura apresentou desempenhos distintos entre as regiões no segundo trimestre de 2026, com o Brasil ainda enfrentando dificuldades operacionais, enquanto o México ganhou força e a Argentina continuou pressionando os resultados da companhia.

Segundo análise do Itaú BBA, a recuperação das operações brasileiras deve ser gradual, enquanto a rentabilidade da América Latina Hispânica teria avançado de forma significativa caso o desempenho argentino fosse excluído.

No Brasil, as vendas da Natura recuaram aproximadamente 15% no segundo trimestre, na comparação anual. Cerca de 2 pontos percentuais dessa queda são atribuídos pelo banco à mudança na cobrança do ICMS-ST. O desempenho ficou bem abaixo do mercado de cosméticos, cujo IDAT-Cosmetics avançou cerca de 5,6% no mesmo período.

Para o Itaú BBA, a perda de participação de mercado deve continuar no segundo semestre de 2026. A administração da Natura destacou que a solução dos problemas relacionados ao sistema integrado de planejamento e à integração mais ampla dos sistemas será gradual, o que deve limitar uma recuperação mais rápida das vendas.

Por outro lado, a dinâmica tributária deve contribuir para a margem da operação brasileira. A isenção de ICMS-ST para vendas diretas, em vigor desde julho, deve mais do que compensar o efeito negativo provocado pela mudança no imposto sobre as vendas B2C, implementada em abril. A Natura não pretende repassar o benefício tributário aos preços, segundo o relatório.

Entre os mercados da América Latina Hispânica, o México foi o principal destaque. A marca Natura voltou a apresentar crescimento anual no país e registrou uma melhora relevante de rentabilidade, segundo o Itaú BBA.

A Argentina teve trajetória oposta. O país continuou enfrentando problemas relacionados à integração da chamada Onda 2, além de um ambiente macroeconômico desafiador. Esses fatores provocaram uma forte queda nas vendas diretas, que acabou compensando boa parte dos avanços registrados em outros canais e dos ganhos de produtividade no restante da América Latina Hispânica.

O impacto argentino fica evidente quando a operação é analisada sem o país. A Natura indicou que a expansão da margem Ebtida da América Latina Hispânica, excluindo a Argentina, teria superado 440 pontos-base no segundo trimestre. Para o Itaú BBA, esse foi provavelmente o principal destaque operacional do trimestre.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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