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CiênciaBDR
14/07/2026
3 min

Por que crianças querem assistir 'Moana' todos os dias? A ciência explica

Por que crianças querem assistir 'Moana' todos os dias? A ciência explica

É comum conhecer crianças que pedem para assistir "Moana" todos os dias, e difícil encontrar pais que não saibam de cor a letra de "Saber Quem Sou". O fenômeno tem nome nas redes sociais, Moana Mania, e tem explicação na neurociência.

Desde 2016, "Moana" acumula mais de 1,5 bilhão de horas de exibição no Disney+, tornando-se o filme mais assistido de todos os tempos na plataforma.

Tanto o original quanto asequência de 2024 estão entre os dez longas-animados de maior bilheteria da história da Disney. Com a chegada da versão em live-action, lançada em julho, a tendência deve crescer.

Por que crianças precisam rever o mesmo filme

Para um adulto, rever o mesmo filme pela décima vez parece entorpecedor. Para uma criança pequena, é exatamente o nível certo de estímulo cognitivo.

Sam Wass, psicólogo infantil da Universidade do Leste de Londres, explicou ao New York Times que o cérebro em desenvolvimento aprende ativamente ao rever narrativas familiares processando informações, refinando previsões e absorvendo os ritmos da linguagem.

O ponto ideal de aprendizado fica numa zona intermediária, que pesquisadores chamam de "zona Cachinhos Dourados": nem previsível demais a ponto de entediar, nem novo demais a ponto de sobrecarregar.

Como crianças pequenas têm menos experiência acumulada, conseguem manter essa zona mesmo revisitando histórias complexas repetidas vezes. A cada sessão, o cérebro não repete, ele aprofunda.

Na primeira vez, a criança capta a estrutura geral. Nas seguintes, começa a perceber expressões emocionais, motivações, piadas e relações sutis entre eventos. O mesmo mecanismo explica por que crianças pedem o mesmo livro toda noite, insistem nas mesmas comidas e jogam a colher no chão repetidamente.

Do ponto de vista adulto, nada muda. Do ponto de vista infantil, cada repetição é um novo experimento.

Por que "Moana" especificamente

A compulsão por repetição explica o comportamento — mas não escolhe o filme. Para isso, entram outros fatores.

Cristel Antonia Russell, professora de marketing da Universidade Pepperdine que pesquisa o consumo repetido de narrativas, aponta uma combinação difícil de bater: uma protagonista fora do estereótipo da princesa tradicional, uma mensagem de empoderamento e músicas compostas por Lin-Manuel Miranda que são, nas palavras dela, "pura alegria".

Esse último fator tem um efeito colateral importante: músicas de filmes reconstroem o vínculo afetivo com a história mesmo fora da tela. Ouvir "How Far I'll Go" no rádio evoca as mesmas emoções de rever o longa, o que significa que a fixação se realimenta constantemente, sem precisar de nova sessão.

Para adultos, revisitar o filme tem ainda outra camada: a história não muda, mas quem assiste sim. "Você a vê com um novo olhar", disse Russell.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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