Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
30/07/2026
3 min

Por que Cury, Cyrela e MRV estão entre as maiores altas da B3

Queda da inflação e dos juros globais melhora o humor dos investidores com construtoras nesta quinta

Por que Cury, Cyrela e MRV estão entre as maiores altas da B3

As ações das construtoras figuram entre os principais destaques de alta da B3 nesta quinta-feira, 30. O setor, um dos mais sensíveis ao custo do crédito, reage ao ambiente mais favorável para os juros no Brasil e no exterior, impulsionando papéis como Cury, Cyrela, MRV e Direcional.

Entre os destaques do pregão por volta das 16h25 (horário de Brasília), a Cury (CURY3) avançava 4,75%, para R$ 30,22, seguida pela Cyrela (CYRE3), que subia 4,09%, a R$ 21,62. A MRV (MRVE3) ganhava 3,05%, para R$ 4,73, enquanto a Direcional (DIRR3) registrava alta de 2,52%, cotada a R$ 11,37.

Mas o desempenho das empresas ao longo do ano segue desafiador. A Direcional cai 16,58% em 2026, enquanto a MRV recua 38,60% no período. Já Cury e Cyrela mantêm trajetória de queda nestes sete meses, com retrações de 4,06% e 9,81%, respectivamente.

O que impulsiona o setor?

A alta acompanha o fechamento da curva de juros, movimento favorecido por uma combinação de fatores internos e externos, segundo especialistas ouvidos pela EXAME.

Nos Estados Unidos, dados de inflação mais benignos reforçaram a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter os juros estáveis por mais tempo. O recuo dos rendimentos dos Treasuries também aliviaram a pressão sobre os mercados globais.

No Brasil, indicadores recentes de inflação vieram abaixo do esperado, fortalecendo as apostas de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central. Para o gestor de portfólio da Atlas One Investimentos, Davi Khattar, o setor reage rapidamente às mudanças nessas expectativas.

"O setor de construção é bem sensível às variáveis macro como juros e inflação. Os dados de inflação mais benignos (...) e o Fed não subindo juros ontem abrem espaço para o ciclo de afrouxamento monetário continuar acontecendo por aqui e aliviam, por ora, as preocupações que estavam surgindo de pressão de custo no setor", destacou Khattar.

Os sinais recentes de desaceleração da atividade econômica também reforçam, na avaliação do gestor, a expectativa de novos cortes da Selic, melhorando o sentimento dos investidores com o setor.

Queda do petróleo e do dólar reforça a alta

Na avaliação do head de análise da GTF Capital, Artur Horta, o petróleo em queda também reduz a perspectiva para uma inflação elevada. Os contratos futuros do Brent recuam 1,37%, para US$ 86,88, e os do West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caem 0,99%, a US$ 83,62.

O dólar também está apresentando uma forte retração no mundo inteiro, assim como a taxa de juros longa americana; e, "como o setor de construção é o mais correlacionado com esses juros longos, ele está operando hoje na bolsa em forte alta", pontuou Horta.

Empresas saudáveis, mas juros no radar

Embora a sessão seja positiva, o estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, afirma que as incorporadoras seguem apresentando fundamentos sólidos, mas lembra que as expectativas para a Selic continuam sendo o principal fator para as ações.

Ele vê que as prévias operacionais do setor têm se mostrado positivas, com empresas saudáveis, gerando caixa e mantendo boas margens e rentabilidade, mas ponderou que alguns mercados, especialmente o segmento de média e alta renda em São Paulo, já mostram um ritmo mais lento de vendas.

Só que, caso a inflação continue surpreendendo positivamente, pode haver espaço para um cenário mais favorável. "O último IPCA-15 dessa semana veio muito bom, o que pode talvez trazer algum argumento para o Banco Central deixar em aberto algum corte de juros adicional ainda este ano", disse Saravalle.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
Distribuído por