Por que data centers são cada vez mais atacados na guerra entre Rússia e Ucrânia?
Ucrânia voltou a atingir local russo em novo ataque na quarta-feira, 14, de acordo com informações da agência de notícias Reuters

RESUMO +
A Ucrânia atingiu nesta quarta-feira, 14, o maior data center da Rússia, em Balakovo, em novo ataque contra a infraestrutura digital do país, segundo a Reuters. A ofensiva afetou serviços usados por milhões de pessoas e destruiu supercomputadores ligados ao desenvolvimento de inteligência artificial.
A Ucrânia atingiu na quarta-feira, 14, o maior data center da Rússia, em um novo ataque deste tipo na guerra entre os países, que caminha para cinco anos de duração.
A ofensiva aconteceu em Balakovo, na região sul do país. O local é de propriedade do Sberbank, um dos maiores bancos e empresas de tecnologia do país, que pertence ao grupo Yandex, conhecido como o Google russo. As informações são da agência de notícias Reuters.
Fundado em 1997 como um mecanismo de busca, o Yandex se transformou em uma das principais infraestruturas digitais do país, reunindo serviços que vão de transporte e comércio eletrônico a pagamentos e inteligência artificial.
Por causa da ação ucraniana, serviços usados diariamente por milhões de pessoas foram interrompidos, como e-mails, aplicativos de táxi e sistemas eletrônicos de acesso a condomínios em Moscou.
A Rússia tem leis rígidas que exigem que dados de consumidores sejam armazenados dentro do próprio território russo, o que expõe data centers a riscos em um cenário de guerra com a Ucrânia.
O ataque a mais um data center se soma a uma sequência registrada na semana passada, quando três locais parecidos foram atingidos, todos de propriedade da Yandex. A tendência reflete uma nova preocupação do conflito entre Rússia e Ucrânia, mas também uma nova estratégia de guerra. Mas qual a tática por trás da destruição de data centers em um conflito como esse?
Revés para o desenvolvimento tecnológico
Os data centers atingidos são da Yandex, empresa que abriga supercomputadores, agora destruídos, responsáveis pelo processamento e desenvolvimento da Inteligência Artificial, no país. Danos a essas máquinas podem provocar atrasos no avanço dessa tecnologia, que se torna cada vez mais importante no campo de batalha.
Segundo Rodrigo Gava, CTO da Vultus Cibersecurity, a IA facilita a descoberta e a exploração de vulnerabilidades, inclusive em infraestrutura crítica.
"Usar IA na defesa e corrigir falhas mais rapidamente será cada vez mais decisivo para o ritmo do conflito", afirma ele.
John Park, especialista em Inteligência Artificial e engenheiro de software da AGI Inc, diz que muitos dos supercomputadores destruídos nos ataques utilizam chips avançados, caros e difíceis de obter.
"No caso da Rússia, as sanções internacionais tornam a compra e a substituição desses equipamentos ainda mais complicadas. Mesmo chips de gerações anteriores podem ser difíceis de encontrar", diz Park à EXAME.
Park também afirma que "alguns drones já conseguem reconhecer imagens, acompanhar objetos e navegar com menos intervenção humana".
Ao mesmo tempo, ao atacar alvos dentro do território russo, como os data centers, a Ucrânia repete a estratégia de levar a guerra cada vez mais ao cotidiano do cidadão russo, como já fez em outras ofensivas, que também provocaram interrupções em serviços do cotidiano da população.
