Por que investidor da 'Grande Aposta' está apostando contra empresas 'tech' dos EUA

O investidor Michael Burry, que ficou famoso por prever o colapso do mercado imobiliário americano na crise financeira de 2008 e virou personagem do livro e do filme "A Grande Aposta", ampliou sua aposta contra o setor de inteligência artificial. Afinal, a euforia em torno da IA estaria prestes a ruir?
O momento escolhido não é casual, já que o governo dos Estados Unidos agiu no lançamento do modelo Mythos, da Anthropic, alegando preocupações de segurança nacional, enquanto o custo elevado de uso de ferramentas de IA já levou empresas como a Microsoft a lançar opções mais baratas para os clientes.
O gatilho mais recente para o investidor, porém, veio da Coreia do Sul. A Samsung e a SK Hynix anunciaram planos de investir mais de centenas de bilhões de dólares na construção de um polo de semicondutores. Anúncio que, no dia seguinte, impulsionou as ações de chips e ajudou a puxar o Nasdaq para cima.
Foi exatamente esse otimismo que acendeu o alerta de Burry, segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal (WSJ). "A causa imediata da alta de hoje são os grandes gastos anunciados pela Coreia", escreveu na terça-feira, 30. "Vejo isso como o começo do fim."
Crítico da euforia em Wall Street
Burry já vinha se posicionando publicamente como um dos principais críticos da corrida especulativa em torno da IA, argumentando que o mercado está se antecipando demais ao valorizar as maiores companhias do setor e ignorando riscos relevantes.
Uma das posições atualizadas envolve opções de venda sobre um ETF que reúne grandes empresas do setor de semicondutores, como Micron Technology e Advanced Micro Devices. Na prática, a aposta é que o fundo, negociado sob o ticker SOXX, vai cair de forma significativa.
Para gerar retorno até março, o ETF precisaria recuar cerca de 30% em relação às máximas recentes, uma condição bem mais exigente do que a estratégia anterior, que previa uma queda ainda maior e em um prazo mais curto, até janeiro, conforme dados do WSJ.
A Caterpillar também entrou na mira do investidor, apesar de ele reconhecer que a fabricante de máquinas pesadas já deu bons resultados em posições compradas em apostas anteriores. Os equipamentos dela são usados na construção de data centers e polos de fabricação de chips.
Histórico contra Nvidia e Palantir
O investidor também renovou sua aposta contra a Tesla, definindo um preço-alvo de US$ 416,22 para as ações da fabricante de veículos elétricos, que corre para viabilizar direção autônoma em escala e negocia a US$ 393,45 atualmente. Não é a primeira vez que ele aposta contra a companhia de Elon Musk.
Além disso, ampliou uma posição vendida contra a Nvidia que já dura meses. Em novembro, Burry havia revelado apostas de que as ações da Nvidia e da Palantir cairiam de forma acentuada até 2027, por razões distintas.
No caso da Nvidia, ele citou o uso de operações de financiamento circular para bancar alguns dos maiores clientes da empresa, prática que poderia terminar em uma quebra parecida com a bolha das ".com". Já a Palantir dependeria demais de contratos governamentais e correria o risco de perder espaço para concorrentes.
A Nvidia negou qualquer problema em sua estrutura de financiamento na época, e o CEO da Palantir, Alex Karp, chegou a chamar Burry de "completamente louco" em entrevista à CNBC. Até agora, os preços das ações não caíram tanto quanto o investidor projetou.
As ações da Nvidia operam cerca de 5% abaixo do nível em que estavam no dia em que a aposta foi anunciada, registrando no último fechamento US$ 194,83. Por outro lado, os papéis da Palantir acumulam queda mais expressiva, de cerca de 40% em igual período, a US$ 129,30.
