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Sacre Investimentos
MundoCMDT
02/09/2026
4 min

Por que multinacionais aumentam a aposta no petróleo da Venezuela após anos de queda na produção

Em comunicado à imprensa, a Chevron disse prever investir mais de US$ 7 bilhões (R$ 35,8 bilhões)

Por que multinacionais aumentam a aposta no petróleo da Venezuela após anos de queda na produção

As empresas americanas Chevron, GE e a italiana ENI assinaram nesta quarta-feira, 2, novos acordos para expandir operações na Venezuela em extração de petróleo e energia. 

Em comunicado à imprensa, a Chevron disse prever investir mais de US$ 7 bilhões (R$ 35,8 bilhões) por meio das joint ventures no país e dobrar a produção de seus projetos para mais de 500 mil barris por dia nos próximos cinco anos.

“A história da Chevron na Venezuela abrange mais de um século. A posição reflete nossa confiança no profundo potencial de recursos do país e em sua capacidade de competir por investimentos em nosso portfólio por décadas”, disse Mike Wirth, Presidente do Conselho e Diretor Executivo da Chevron, em comunicado à imprensa.

Também assinaram acordos com o país a gigante italiana de energia ENI, a GE Vernova, especializada em equipamentos e tecnologia para infraestrutura energética, Primavera, empresa de geração e comercialização de energia, e a Aspect, companhia de Denver focada em serviços técnicos e exploração petrolífera.

“A assinatura de um acordo petrolífero com a Venezuela é o primeiro passo rumo a um maior desenvolvimento”, disse o presidente-executivo da ENI, Claudio Descalzi, durante um evento no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, de acordo com a Reuters.

Chris Wright, secretário da Energia dos Estados Unidos, participou do ato que celebrou o acordo ao lado da presidente interina Delcy Rodríguez no palácio presidencial de Miraflores.

"Acredito que os acordos assinados hoje, com bilhões de dólares em investimentos e, finalmente, muitos empregos criados, são essenciais para começar a trazer paz, oportunidades e prosperidade para todos", disse Wright, segundo a AFP.

 "Quando falo em aumentar a produção, falo do bem-estar do povo venezuelano", afirmou Rodríguez.

O que está por trás dos acordos?

Apesar do momento atual, envolvendo as últimas declarações de Trump e de Delcy Rodríguez, os movimentos não fazem parte diretamente do entendimento entre Venezuela e EUA, que envolve 17 grandes campos de petróleo venezuelanos -- apesar de vir em um momento favorável politicamente. 

A maior parte dos novos contratos está relacionada à expansão de projetos negociados com o Ministério do Petróleo e a estatal PDVSA, dentro do processo de migração de dezenas de contratos para novos termos.

A mudança acontece após uma reforma do setor petrolífero aprovada em janeiro, em um momento em que o governo venezuelano busca atrair capital privado para uma indústria que perdeu capacidade produtiva ao longo das últimas décadas.

Homem observa o navio petroleiro Shenli, em Puerto Cabello, na Venezuela, em janeirotróleo (Ronaldo Schemidt/AFP)

Por que a Venezuela precisa de investimento?

A Venezuela produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo por dia, muito abaixo dos cerca de 3 milhões de barris diários registrados no fim dos anos 1990. 

A queda aconteceu após anos de falta de investimentos, problemas de gestão e sanções impostas pelos Estados Unidos. A nacionalização de 2007 também levou grandes petrolíferas a reduzirem sua presença no país, depois da apreensão de ativos.

A Chevron foi uma exceção. A companhia manteve operações na Venezuela mesmo após a saída de outras grandes empresas e agora afirma que pretende continuar investindo no país.

Estados Unidos de olho no petróleo

A movimentação acontece em paralelo a uma nova aproximação entre Venezuela e Estados Unidos em torno do petróleo. Na semana passada, o presidente americano Donald Trump anunciou um acordo com a Venezuela que, segundo ele, dá aos Estados Unidos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris em reservas venezuelanas. 

Na ocasião, Trump classificou a operação como o “maior acordo de petróleo da história mundial” e afirmou que isso aumentaria a oferta de combustível nos Estados Unidos e poderia contribuir para reduzir os preços da gasolina no longo prazo.

O governo venezuelano, porém, fez uma declaração diferente à época. A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o país vai manter a propriedade e o controle soberano sobre suas reservas. Segundo ela, os 17 campos incluídos na parceria continuam sob propriedade da Venezuela.

O plano americano prevê elevar a produção venezuelana para 1,5 milhão de barris por dia. Os Estados Unidos também passaram a liderar um plano de investimentos de US$ 100 bilhões que, segundo declaração de autoridades à Reuters, poderá dobrar a produção do país nos próximos anos.

AutorNaty Falla
FonteExame
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